As canções de amor relatam sempre o desejo insaciado de um poeta mal amado.
Mas o que seria então das canções sofridas de amor se esses poetas pudessem ter
ao seu alcance, sempre o seu grande amor?
Não existiriam!! Não alimentariam de dor e esperanças outros amantes tão
sofridos como o poeta. A dor cria, alimenta e nos dá frutos, mesmo que sem
buscar esse fim.
Na dor de alguém que perdemos, mora uma saudade que jamais iremos abrandar.
Ela só aumenta e nos descontrola. Ela só realça aquilo que não temos mais ou
que nunca tivemos.
Mas a saudade tem um lado menos negro. Não é que seja plenamente bom ou saudável,
mas ela alimenta algo que não esta dentro da felicidade. Ela alimenta um sonho,
um desejo de que o alguém que perdemos um dia ira voltar, seja nessa ou em
outra vida, mas vai voltar.
Esperamos ansiosos, como aquele cachorrinho abandonado pelo dono na beira da
estação, cada ônibus que chega é uma nova esperança que o dono volte. E lá
ficamos nós abanando o rabo em cada telefone que toca, cada email que chega,
cada torpedo recebido. Em vão.
A pessoa amada não volta. Ficamos tristes, mas pensamos: Ela deve estar
sofrendo como nós. Mas não se engane...ela não esta. A saudade fez isso por
nós. Criou essa fantasia, criou esse completo engano, onde a fantasia do
cachorro na estação existe e o dono não voltará, pois ele te abandonou de propósito
e sem remorso.
Nessas horas, temos de ser fortes, sacudir a poeira, parar de balançar a
calda para qualquer um de mala na mão e procurar outro alguém, sem pressa e sem
medo.
Difícil? Sim, muito difícil...difícil
até de escrever que é difícil. Mas possível!!!
Escreva uma canção de amor, um poema, ou apenas ouça ou leia algum que possa
te fazer sentir mais igual a outros com o mesmo problema.
Sim, é uma terapia
coletiva ouvir uma musica de corno, ou de alguém que jamais veremos de novo,
pois sabemos que quem escreveu também sofreu do mesmo que nós, e assim fica
mais fácil aceitar o que se passou.
Musica de corno é a melhor terapia já criada para nossa alma. Tanto que
vende como água e delas precisamos muito para nossa sanidade mental.
Todos que já ousaram amar passaram por isso. Pois amar é um risco, dos
maiores que podemos ter nessa vida. Mas sem o amor, tudo fica pálido, sem sal,
sem açúcar, sem medos e sem vitórias.
Bendito o corno que se levanta e vai a luta. Bendito o mal amado que não
teme começar tudo de novo. Bendito o que vem em nome de um novo e inseguro
amor.
Amém.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Impossibilidades de um jovem poeta
hoje te vi novamente
linda e tão reluzente
difícil escrever e descrever o que vi
talvez somente um anjo possa
num segundo seguinte, veio um lindo sorriso seu
e mesmo sincero, não era para mim
tratei então de rouba-lo
e guarda-lo para sempre no meu baú do amor sem fim
linda e tão reluzente
difícil escrever e descrever o que vi
talvez somente um anjo possa
num segundo seguinte, veio um lindo sorriso seu
e mesmo sincero, não era para mim
tratei então de rouba-lo
e guarda-lo para sempre no meu baú do amor sem fim
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Sal da vida
quando nada tenho a dizer
ficar quieto é um dom
como acertar no tempero de sal
mas meu ego quer ser maior
quer ser unico
quer ser o tal
ele ri
se diverte
é puro carnaval
mas quando esta perto de você
ele perde o rumo
se cala e me dou mal
enfim é mais forte que eu
viver te esperando
aguardando um pequeno e simples sinal
ficar quieto é um dom
como acertar no tempero de sal
mas meu ego quer ser maior
quer ser unico
quer ser o tal
ele ri
se diverte
é puro carnaval
mas quando esta perto de você
ele perde o rumo
se cala e me dou mal
enfim é mais forte que eu
viver te esperando
aguardando um pequeno e simples sinal
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Espelho gelado
ser criança
entrar na dança
ter sempre esperança
ser
saber
não ter
olhar no fundo
e ver o raso
diante de um pouco que nos foi dado
acreditar naquilo
que se quer
sem medo de perder a si mesmo.
entrar na dança
ter sempre esperança
ser
saber
não ter
olhar no fundo
e ver o raso
diante de um pouco que nos foi dado
acreditar naquilo
que se quer
sem medo de perder a si mesmo.
Lugar de um só
porque olhar?
se sabe que não esta ali
porque sonhar?
se um dia vai acordar
porque beijar?
se um dia vai acabar
porque viver?
se um dia irá morrer
...esperança !!
...isso me basta...
se sabe que não esta ali
porque sonhar?
se um dia vai acordar
porque beijar?
se um dia vai acabar
porque viver?
se um dia irá morrer
...esperança !!
...isso me basta...
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Memória vazia não traz felicidade
A memória sempre nos trai e nos leva para horizontes que jamais pisamos e de
lá nos arremessa no precipício afora. Ela nos faz imaginar coisas que jamais
vivemos, e somente quando comparamos as memórias nossas com a de outros que
viveram o mesmo momento é que encontramos as diferenças. Nós criamos muitas
vezes algo que não existiu exatamente daquela forma.
Então, será que tudo o que imaginamos ter ocorrido, não é mero fruto da transformação de nossos desejos? O primeiro beijo, o primeiro pedaço de bolo de chocolate, a primeira perda...será que são realmente daquela forma que nossa memória registrou com tanta força em nossa mente e em nosso coração?
Lembro-me de fatos recentes com dificuldade, parece que o tempo passa rápido demais, mas ao mesmo tempo não consigo registra-lo com tanta clareza como as memórias de passados mais antigos. Lembranças da infância, das descobertas, do vento no topo das arvores...lembro do primeiro amor, e sem saber o que tinha me atingido, não parava de pensar na menina que nem sabia o nome. Parecia uma doença, um vírus que havia me contaminado, e sem saber a cura, apenas sonhava com um beijo, um toque, um trocar de palavras, para que pudesse ouvir sua doce voz.
O tempo passou e outros amores chegaram, um beijo escondido, outro roubado, outro perdido para sempre. Quer maior saudade do que o beijo que você nunca se teve, da boca que jamais tocou, da pele que jamais sentiu? Sim, o desejo é o criador supremo da saudade de algo que jamais aconteceu.
Nisso retomo a questão da memória, que mistura esse desejo inexistente com a realidade longínqua e dai não sabemos direito o que foi tocado ou apenas imaginado tocar. Somos falsetes que idealizam momentos únicos. Quantas vezes você não desejou estar perto de alguém, apenas para roubar um naco de perfume, um toque involuntário de pernas, um suspiro suave, que perto do ouvido marcou para sempre sua imaginação.
Pequenos e deliciosos momentos, que sexo, drogas ou dinheiro algum pode fazer acontecer ou trazer de volta.
Viver feliz é um pouco disso, garimpar sensações sinceras, guardando no depósito da alma para poder usar nos momento de dor, de solidão e abandono. É fazer como o camelo, que tem sua reserva de gordura para momentos de falta, e dela se alimenta para não perecer no calor do deserto.
Existem momentos que estamos nesse deserto, mesmo que rodeados de festa e falsa alegria. Nesses momentos quero beber da corcova da memória, que um dia guardei com carinho e que para sempre há de me alimentar da mais pura felicidade.
Então, será que tudo o que imaginamos ter ocorrido, não é mero fruto da transformação de nossos desejos? O primeiro beijo, o primeiro pedaço de bolo de chocolate, a primeira perda...será que são realmente daquela forma que nossa memória registrou com tanta força em nossa mente e em nosso coração?
Lembro-me de fatos recentes com dificuldade, parece que o tempo passa rápido demais, mas ao mesmo tempo não consigo registra-lo com tanta clareza como as memórias de passados mais antigos. Lembranças da infância, das descobertas, do vento no topo das arvores...lembro do primeiro amor, e sem saber o que tinha me atingido, não parava de pensar na menina que nem sabia o nome. Parecia uma doença, um vírus que havia me contaminado, e sem saber a cura, apenas sonhava com um beijo, um toque, um trocar de palavras, para que pudesse ouvir sua doce voz.
O tempo passou e outros amores chegaram, um beijo escondido, outro roubado, outro perdido para sempre. Quer maior saudade do que o beijo que você nunca se teve, da boca que jamais tocou, da pele que jamais sentiu? Sim, o desejo é o criador supremo da saudade de algo que jamais aconteceu.
Nisso retomo a questão da memória, que mistura esse desejo inexistente com a realidade longínqua e dai não sabemos direito o que foi tocado ou apenas imaginado tocar. Somos falsetes que idealizam momentos únicos. Quantas vezes você não desejou estar perto de alguém, apenas para roubar um naco de perfume, um toque involuntário de pernas, um suspiro suave, que perto do ouvido marcou para sempre sua imaginação.
Pequenos e deliciosos momentos, que sexo, drogas ou dinheiro algum pode fazer acontecer ou trazer de volta.
Viver feliz é um pouco disso, garimpar sensações sinceras, guardando no depósito da alma para poder usar nos momento de dor, de solidão e abandono. É fazer como o camelo, que tem sua reserva de gordura para momentos de falta, e dela se alimenta para não perecer no calor do deserto.
Existem momentos que estamos nesse deserto, mesmo que rodeados de festa e falsa alegria. Nesses momentos quero beber da corcova da memória, que um dia guardei com carinho e que para sempre há de me alimentar da mais pura felicidade.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Toque
Um toque seu e lá se vão minhas dores
a memória se renova
e já não sofro mais
Um toque seu e a verdade da vida
soa como sino em
dia de festa
Um toque seu e o passado outrora triste
revive apenas aquilo que vale
a pena lembrar
Um toque seu e já sou eterno
no vale da esperança
onde nada jamais ira perecer
Um leve toque de seus dedinhos
e a felicidade do amor
preenche cada poro desse velho pai !!
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