Ando inspirado para cozinhar. E, em minhas aventuras pelas panelas, fornos e farinhas, penso também em como melhorar o gerenciamento de projetos;
Quem não cozinha ou pouco se aventura nessa arte, pode não entender as comparações que faço entre os universos gerenciais de projetos e os culinários;
Minha última investida foi na confecção de pães caseiros; busquei na velha caderneta de mamãe (ela fazia ótimos pães e era muito criativa) um básico pão de sal para o café da manhã;
Como tudo na culinária (e em projetos), olhando a receita (ou os processos de governança e metodologias) parece muito fácil. Basta comprar os ingredientes, misturar tudo, forno e pronto...pão quente e fresquinho para todos se deliciarem. Mas na prática as coisas são um pouco mais complexas e exigem atenção, preparo e muita dedicação;
Traçando um comparativo, vejo os seguintes pontos:
Pão
1) Escolher a receita (pão doce, salgado, etc)
2) Adquirir e separar os ingredientes nas quantidades certas;
3) Misturar os ingredientes na ordem e temperatura corretas
Projeto
1) Definir qual objetivo do projeto;
2) Definir equipe certa e os requisitos possíveis e necessários;
3) Misturar os ingredientes.... ??????????
Atenção, muita atenção nessa etapa. Em minha opinião, é nesse ponto 03 que os projetos têm maior chance de dar errado e os pães também.
Quem cozinha sabe que a arte de fazer bem um prato é saber misturar os ingredientes na quantidade certa e temperatura adequada, unindo os ingredientes afins em momentos certos e fazendo “camadas” nas quais cada ingrediente cumpre sua função. Mas além de tudo isso, cada mistura precisa de “seu tempo” específico para estar pronta.
No caso dos pães, a massa precisa ser “sovada”, ou seja, precisa ser amassada até ter a consistência adequada e para que o fermento e o glúten cumpram sua função, dando a liga necessária para o pão crescer e ficar no ponto para levarmos ao forno;
Em projetos, quando misturamos os “ingredientes”, como idéias de negócios + idéias de TI + idéias de qualidade, em qualquer tempo e ordem, pensamos que poderá haver um resultado positivo, ou o “pão quentinho” no final da jornada.
Mas se até para fazer um simples pão tenho de respeitar as leis da química e deixar o pão criar sua “liga” e crescer, porque em projetos milionários e complexos, acreditamos ser possível ter uma boa “liga” sem deixar os requisitos “amadurecerem e crescerem” até o ponto de ser colocado no forno?
A maioria dos projetos que vemos, tem um curto período para esse amadurecimento, para que a “massa cresça” e possa ser usada. Acreditamos (não sei por onde) que colocando as pessoas certas numa sala, com uma idéia inicial do objetivo, em uma semana teremos todo amadurecimento que um projeto precisa ter para ser de sucesso;
(pão) Doce engano! Pois, o que vemos, é um pão duro e que não cresceu o suficiente para levarmos ao forno. Mesmo assim tentamos assá-lo e fica tudo uma droga.
Quantos “pães” nós não tivemos de jogar fora e começar tudo de novo, desperdiçando tempo, dinheiro, imagem e recursos da empresa. Tudo isso, somente porque não tivemos a paciência e perseverança para saber até onde “amassar” cada idéia, respeitando cada etapa do “framework” de engenharia e ajudando a “massa” das idéias e da qualidade a crescer e ficar no “ponto”;
A receita de minha mãe ficou pronta. O pão é uma delicia e acaba rapidinho. Projeto bom também é assim, todo mundo quer um pedaço “quentinho” com a “maciez” da lucratividade e do retorno adequado, seja ele operacional, gerencial ou comercial.
Querem a receita de minha mãe? Sovar, meu filho... até a massa fazer “bolhinhas” e crescer longe das correntes de ar “de outros projetos novos e urgentes”, que sempre querem estragar o sossego da massa “da vez”.
Boa massa a todos.
Geraldo de Lima – papai do Lucas e padeiro nas (poucas) horas vagas;
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Bug Project: o detalhe nosso de cada dia
Ontem tive uma experiência culinária que ajudou a entender melhor como fazer outros projetos, que não os culinários.
O projeto apareceu do nada (como é já é de costume) e veio para resolver um problema básico: fazer arroz para o almoço do meu bebê (na verdade já tem dois anos, mas é nosso eterno bebê);
Como todo bom projeto já veio com escopo firmado (bom... nem todos são assim), liderança: minha esposa, cliente: meu filho e prazo determinado: tinha de terminar até o meio dia. Eu então tinha minha meta – 30 minutos para fazer o arroz.
Comecei com pressa, pois a pressão do cliente (minha esposa) era grande e o bebê já começava a reclamar gritando que estava com fome (não tem nada pior que cliente chorando e pedindo o projeto);
Defini rapidamente os requisitos: água, óleo, sal, panela, fogão, alho e cebola; bom estava tudo ali. Mas o ingrediente principal – o arroz – não achava de jeito algum. Procurei em toda a dispensa e nada. Mas lembrei que tinha um restinho num canto, bem no fundo do armário (sabem aquele que ninguém lembrava mais). Não tive duvidas, coloquei-o rapidamente para refogar, pulando etapas da engenharia e boas práticas de se fazer arroz: não escolhi, não lavei e não vi a data de vencimento (afinal arroz não vence, não é mesmo?);
Arroz refogado, água quente nele e faltavam 20 minutos para vencer o prazo;
Fiquei animado, pois minha meta estava quase alcançada;
Em paralelo a esse projeto, é claro que tinha outros em andamento, como o projeto lavar a louça, fazer os nuggets e guardar na dispensa as compras do supermercado; Como todo bom gerente de projetos, estava com meus tentáculos pela cozinha afora para dar conta de todos;
Alarme soando: 12:00 hs em ponto, arroz pronto. Meta vencida.
Mas, espere um pouco. O que são essas coisas pretinhas em cima do arroz??
Não lembrava que o arroz já vinha enriquecido com linhaça. Olhei direito, analisei com cuidado a anomalia do projeto e descobri o que havia ocorrido: sim, eles, aqueles pequenos infelizes que vem do além, que brotam do ar e que mesmo com uma embalagem hermeticamente fechada conseguem invadir qualquer alimento farináceo: os carunchos;
Fiquei desesperado, pensei em mil coisas, inclusive pular pela janela com a panela de carunchos na cabeça. Mas não teve jeito. Tentei convencer a liderança e o cliente a comerem o arroz com carunchos, mas rejeitaram minha proposta de implementação;
Conclusão: projeto fracassado, meta não cumprida e ainda o projeto nuggets foi para o “saco”, pois na correria do projeto arroz eu o esqueci no forno e queimou tudo;
Apenas um detalhe: depois do ocorrido, vi na sacola do mercado que tinha arroz fresco, ou seja, não precisava ter pulado as etapas, poderia ter me comunicado melhor com minha liderança e o cliente não sairia no prejuízo;
Moral da Estória: os cuidados nos detalhes é que definem o sucesso ou o fracasso de um projeto, seja ele de um arroz ou uma nave espacial;
P.S. não se preocupem com meu cliente/ filho, peguei a família e fomos comer fora...fazer o que né?
Geraldo Lima – Gerente de projetos e pai do Lucas.
O projeto apareceu do nada (como é já é de costume) e veio para resolver um problema básico: fazer arroz para o almoço do meu bebê (na verdade já tem dois anos, mas é nosso eterno bebê);
Como todo bom projeto já veio com escopo firmado (bom... nem todos são assim), liderança: minha esposa, cliente: meu filho e prazo determinado: tinha de terminar até o meio dia. Eu então tinha minha meta – 30 minutos para fazer o arroz.
Comecei com pressa, pois a pressão do cliente (minha esposa) era grande e o bebê já começava a reclamar gritando que estava com fome (não tem nada pior que cliente chorando e pedindo o projeto);
Defini rapidamente os requisitos: água, óleo, sal, panela, fogão, alho e cebola; bom estava tudo ali. Mas o ingrediente principal – o arroz – não achava de jeito algum. Procurei em toda a dispensa e nada. Mas lembrei que tinha um restinho num canto, bem no fundo do armário (sabem aquele que ninguém lembrava mais). Não tive duvidas, coloquei-o rapidamente para refogar, pulando etapas da engenharia e boas práticas de se fazer arroz: não escolhi, não lavei e não vi a data de vencimento (afinal arroz não vence, não é mesmo?);
Arroz refogado, água quente nele e faltavam 20 minutos para vencer o prazo;
Fiquei animado, pois minha meta estava quase alcançada;
Em paralelo a esse projeto, é claro que tinha outros em andamento, como o projeto lavar a louça, fazer os nuggets e guardar na dispensa as compras do supermercado; Como todo bom gerente de projetos, estava com meus tentáculos pela cozinha afora para dar conta de todos;
Alarme soando: 12:00 hs em ponto, arroz pronto. Meta vencida.
Mas, espere um pouco. O que são essas coisas pretinhas em cima do arroz??
Não lembrava que o arroz já vinha enriquecido com linhaça. Olhei direito, analisei com cuidado a anomalia do projeto e descobri o que havia ocorrido: sim, eles, aqueles pequenos infelizes que vem do além, que brotam do ar e que mesmo com uma embalagem hermeticamente fechada conseguem invadir qualquer alimento farináceo: os carunchos;
Fiquei desesperado, pensei em mil coisas, inclusive pular pela janela com a panela de carunchos na cabeça. Mas não teve jeito. Tentei convencer a liderança e o cliente a comerem o arroz com carunchos, mas rejeitaram minha proposta de implementação;
Conclusão: projeto fracassado, meta não cumprida e ainda o projeto nuggets foi para o “saco”, pois na correria do projeto arroz eu o esqueci no forno e queimou tudo;
Apenas um detalhe: depois do ocorrido, vi na sacola do mercado que tinha arroz fresco, ou seja, não precisava ter pulado as etapas, poderia ter me comunicado melhor com minha liderança e o cliente não sairia no prejuízo;
Moral da Estória: os cuidados nos detalhes é que definem o sucesso ou o fracasso de um projeto, seja ele de um arroz ou uma nave espacial;
P.S. não se preocupem com meu cliente/ filho, peguei a família e fomos comer fora...fazer o que né?
Geraldo Lima – Gerente de projetos e pai do Lucas.
Assinar:
Postagens (Atom)