Ontem tive uma experiência culinária que ajudou a entender melhor como fazer outros projetos, que não os culinários.
O projeto apareceu do nada (como é já é de costume) e veio para resolver um problema básico: fazer arroz para o almoço do meu bebê (na verdade já tem dois anos, mas é nosso eterno bebê);
Como todo bom projeto já veio com escopo firmado (bom... nem todos são assim), liderança: minha esposa, cliente: meu filho e prazo determinado: tinha de terminar até o meio dia. Eu então tinha minha meta – 30 minutos para fazer o arroz.
Comecei com pressa, pois a pressão do cliente (minha esposa) era grande e o bebê já começava a reclamar gritando que estava com fome (não tem nada pior que cliente chorando e pedindo o projeto);
Defini rapidamente os requisitos: água, óleo, sal, panela, fogão, alho e cebola; bom estava tudo ali. Mas o ingrediente principal – o arroz – não achava de jeito algum. Procurei em toda a dispensa e nada. Mas lembrei que tinha um restinho num canto, bem no fundo do armário (sabem aquele que ninguém lembrava mais). Não tive duvidas, coloquei-o rapidamente para refogar, pulando etapas da engenharia e boas práticas de se fazer arroz: não escolhi, não lavei e não vi a data de vencimento (afinal arroz não vence, não é mesmo?);
Arroz refogado, água quente nele e faltavam 20 minutos para vencer o prazo;
Fiquei animado, pois minha meta estava quase alcançada;
Em paralelo a esse projeto, é claro que tinha outros em andamento, como o projeto lavar a louça, fazer os nuggets e guardar na dispensa as compras do supermercado; Como todo bom gerente de projetos, estava com meus tentáculos pela cozinha afora para dar conta de todos;
Alarme soando: 12:00 hs em ponto, arroz pronto. Meta vencida.
Mas, espere um pouco. O que são essas coisas pretinhas em cima do arroz??
Não lembrava que o arroz já vinha enriquecido com linhaça. Olhei direito, analisei com cuidado a anomalia do projeto e descobri o que havia ocorrido: sim, eles, aqueles pequenos infelizes que vem do além, que brotam do ar e que mesmo com uma embalagem hermeticamente fechada conseguem invadir qualquer alimento farináceo: os carunchos;
Fiquei desesperado, pensei em mil coisas, inclusive pular pela janela com a panela de carunchos na cabeça. Mas não teve jeito. Tentei convencer a liderança e o cliente a comerem o arroz com carunchos, mas rejeitaram minha proposta de implementação;
Conclusão: projeto fracassado, meta não cumprida e ainda o projeto nuggets foi para o “saco”, pois na correria do projeto arroz eu o esqueci no forno e queimou tudo;
Apenas um detalhe: depois do ocorrido, vi na sacola do mercado que tinha arroz fresco, ou seja, não precisava ter pulado as etapas, poderia ter me comunicado melhor com minha liderança e o cliente não sairia no prejuízo;
Moral da Estória: os cuidados nos detalhes é que definem o sucesso ou o fracasso de um projeto, seja ele de um arroz ou uma nave espacial;
P.S. não se preocupem com meu cliente/ filho, peguei a família e fomos comer fora...fazer o que né?
Geraldo Lima – Gerente de projetos e pai do Lucas.
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