Hoje pensei no poder das palavras. Coisa já sabida em diversas culturas e que às vezes não damos a devida importância.
Em uma reunião de trabalho, com a vice-presidência, a diretoria e toda a equipe, a palavra mais usada para acentuar uma situação foi "agressiva"! Isso mesmo. A palavra "agressiva" que para nossos ancestrais do tempo das cavernas deveria ser algo como, "animal agressivo", "inimigo agressivo" ou coisa parecida, para nós do mundo corporativo virou coisa boa, de incentivo para melhorar e conquistar. Talvez estejamos retornando para a época das conquistas de Alexandre, "o grande" ou as batalhas de Roma antiga, onde a agressividade dos combatentes é que determinava o futuro das nações. Mas por que isto acontece?
Gostaria de pensar que é algo saudável, mas não consigo. Pense na seguinte colocação do seu chefe: Você precisa ser mais agressivo, precisa vencer suas “metas”. Está aí outra palavra muito usada ultimamente: “metas”. No dicionário quer dizer: “Poste, marco, cordel ou qualquer outro sinal que indica ou demarca o ponto final das corridas (de pedestres, de cavalos, de regatas, etc.)”. Não somos cavalos e “aparentemente” não estamos em uma corrida. Mas na prática é isto que fazemos o dia todo, corremos e corremos. A linha de chegada, cada vez mais distante, ou mesmo inexistente, nos impulsiona a querer e correr cada vez mais.
A agressividade talvez seja o combustível para atingir as metas? Pensando nisto me vem na mente outra palavra bem utilizada em nossa sociedade empresarial: “alinhar”. Tudo é “alinhamento”, “vamos alinhar aquele assunto?”, “...a reunião foi para alinhar...”. O verbo alinhar esta em alta. O sentido da palavra é : “Dispor em linha reta”. Podemos até conjugar uma frase completa usando estas três palavras de maneira que qualquer diretor de empresa ficaria muito feliz: “precisamos Alinhar Agressivamente nossas Metas para este ano”. Traduzindo para seu real significado ficaria: “Precisamos colocar em linha reta de maneira destrutiva e hostil nosso ponto final da corrida para este ano!”. Não vejo nenhuma beleza nesta frase.
Onde foram parar as frases: “Nossa alegria é poder fornecer algo de bom para a humanidade?”, “Precisamos fazer as coisas com amor para que todos se beneficiem”, ou ainda “não tenha pressa, faça bem feito e mostraremos ao mundo algo melhor”. Parece “piegas” e até inocente ouvir isto hoje em dia. Mas juro que acredito que o mundo seria bem melhor se fosse mais “lento”, mais “gentil” e sem nenhuma linha de chegada imaginária e que na prática nunca iremos atravessar.
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