segunda-feira, 18 de junho de 2012

Platonismo de um louco sempre apaixonado

Ontem vi um filme muito singelo. A história de um musico que conhece uma imigrante que vende flores e trabalha como doméstica. O filme se chama "Apenas uma vez" em inglês "one". Ele cantor e compositor, ela pianista. Ambos juntos começam a se conhecer, sem grandes expectativas. Ele sonhador e com o coração partido, ela mãe de uma linda menina e separada do marido pela distancia e por não se sentir valorizada por ele. Vou confessar que muitos não curtem esse tipo de filme. Sem explosões, socos, efeitos e nem era em 3D. Vejam só que “porcaria” de filme eu fui ver. Mas adorei. Confesso que até chorei no final e ainda nem sei direito o porquê.

Talvez seja pela beleza que só quem está apaixonado vê (não que eu esteja muito apaixonado, só um pouco) ou pela vontade de que o mundo possa ser diferente a cada instante, mas ele não é.

A esperança, como eu digo sempre, é nossa melhor amiga, mas como uma grande amiga ela também às vezes nos faz sofrer.

Lembro de todas as pessoas que amei na vida, amores diferentes, mas todos com a mesma força, pois amor é a maior das emoções. Amor de filho, de amigo, de companheiro, de pai e de amante. Todos eles têm sua beleza, todos têm alguma completude. Todos menos um. O chamado “amor platônico”. Esse só nos faz sofrer, destinado a ser algo incompleto eternamente, destinado a ser enfim platônico, ou seja, fica apenas no mundo das idéias.

Quando adolescente, sentia esse sentimento sempre, mas achava que era coisa da idade. Mas o tempo passou e eu aprendi que é coisa do ser humano, mas não um ser humano qualquer. Um ser humano diferente, idealista, sonhador, iludido e que sofre pela falta, pela vontade insaciável de um desejante que a cada dia renova sua esperança em algo que no momento não pode ter.

Quando se esta loucamente apaixonado platonicamente, o maior sofrimento é ver, a cada dia a pessoa amada ficar mais bela. Acho que funciona como bebida alcoólica, quanto mais se tem amor platônico, mais a pessoa amada fica bonita, atraente. Em contrapartida fica mais difícil se aproximar dela. È uma verdadeira armadilha de caçar urso, quanto mais se tenta tirar, mais apertado fica.

Mas diferente do desejo platônico dos bens materiais, que quando se tem dinheiro se pode conseguir o objeto do desejo, o amor platônico é difícil de ser obtido de forma tão simples. As variáveis envolvidas são muitas, desde a pessoa amada ser já comprometida, ou não ter você no radar, pois você não preenche os critérios para uma seleção, ou seja, você jamais estará na lista de pretendentes dessa pessoa amada.

Amor platônico não se desliga, não existe a chave mestra para apagar da mente a pessoa amada e toda sua beleza.

Não posso dizer que é de todo o mal esse tal amor. É nele que admiramos cada detalhe, uma pinta na mão que nem mesmo a pessoa conhece, um fechar de olhos, uma mão na cintura, um detalhe da roupa. Um mundo a ser desbravado, cada pedaço do ser amado é algo que é vasculhado, único, admirado, um ato quase doentio de admiração pura e sem malicia, pois os prazeres da carne, no amor platônico, ficam em segundo plano.

O plano maior é tocar, ser aceito, trocar um beijo, nem que seja roubado, nem que seja sonhado. As vezes invejo os amantes objetivos, onde não se tem sonho, apenas a realidade. Onde o ser amado ou esta com você ou ele não existe. Não há dor de amar sem ser correspondido, pois para os amantes realistas, amor não correspondido é apenas um flerte que não deu certo. Eles não aumentam, não idealizam, não sofrem com algo que não tem.

Mas o amante platônico não é assim. Poderia ficar horas descrevendo cada instante desse ato tolo de amar quem nem sabe que você existe. Mas prefiro me colocar como um admirador dos amantes platônicos. Pessoas fiéis, mas insensatas, sofridas e mal compreendidas, que buscam acima de tudo, uma alma gêmea, uma alma que tenha as mesmas cicatrizes que a sua e não o culpe por simplesmente AMAR.





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