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terça-feira, 12 de junho de 2012

Paixão faminta


Hoje é um dia diferente. É dia dos enamorados, dos amantes, dos apaixonados, estando acompanhados ou solitários. Paixão independe de estar ou não com alguém, pois acredito que os solitários nessa data, tem a paixão mais poderosa que a dos acompanhados.

Loucura o que digo? Deboche de quem está só? Não. Pensem num processo equivalente a fome. Quando se tem comida, a fome pode ser saciada de tempos em tempos e diminui. Quando a comida falta, sonhar com ela parece ser mais gostoso. Falar de comida com fome é outra coisa. Sentimos seu aroma, sentimos seu sabor em cada prato que lembramos. É assim com a paixão. Fome traz um desejo que os saciados já não sentem. Hoje dia dos namorados, os insaciáveis solitários imaginam, sonham com o passado e desejam um futuro com alguém, que muitas vezes só existe na sua imaginação faminta.

Faz oito anos que não sinto essa “fome” de paixão do dia dos namorados. E por incrível que pareça tinha esquecido a sensação de ser um “desejante faminto” oscilando entre o bom, o ruim e o sonho. Eu explico.

O “bom” é ter na esperança louca de quem deseja, poder encontrar alguém nesse dia, como nos filmes de comédia romântica, que as pessoas se encontram, se esbarram por acaso e no final desse dia mágico algo de bom acontece: o começo de uma paixão, o saciar dessa fome que parece não ter fim.

O ruim é quando o dia passa e os esbarrões não ocorrem. Chega a noite fria e sem perspectivas mas reais. A fome aumenta, o bom se vai, e a cabeça parece ser martelada com pensamentos de que algo errado aconteceu, ou pior, o errado sou eu.

Daí vem o sonho, aquele que nos abraça como uma miragem no deserto escaldante. Ele pode nos afagar acordado ou dormindo, mas o sonho, quando se tem fome de paixão, é algo incrível.

Nele tudo podemos fazer, mas com a condição de não nos machucarmos. De não ter uma “indigestão” amorosa, pois nele, a fome de paixão cria o ser perfeito, cria nossa alma gêmea. Alma que não cansa de nos alimentar, de nos dar prazer, de ser nossa companheira eterna, em momentos de alegria, prazer e cumplicidade.

Mas lembre-se. O sonho só vem após o bom e o ruim ocorrerem. A fome de paixão é o combustível desse sonho que nasce e morre, indo e vindo em nossas mentes, enquanto o desejo não virar algo real. Quando isso ocorre, a paixão real aos poucos mata o sonho, aos poucos a fome passa e o “feijão com arroz” real do dia-a-dia, toma o lugar do sonhos de pratos exóticos, de comida saborosa, de aromas e sabores que só nos devaneios do sonho de quem tem fome são possíveis.

E não tem jeito, a menos que você, tenha coragem de não comer mais o trivial, de fazer “dieta” e voltar a ter fome de algo novo, a nova paixão vai acabar virando apenas o prato feito que mata a fome, mas não alimenta mais paixão alguma. E não digo para trocar e buscar alguém novo. O grande segredo é com a mesma fonte de paixão, voltar a sonhar e acreditar que algo novo possa brotar, com aromas, sabores e delicias que uma paixão nova sempre pode proporcionar.

Dia dos namorados com fome é algo para poucos, que podem saborear momentos de sonhos únicos. Sonhos que jamais vão ocorrer, pois é da natureza de um sonho ser sonho, e da natureza humana acreditar neles...sempre !!!