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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Amor Vazio

Prefiro o vazio da alma

Que um amor não correspondido

No vazio pelo menos há expansão da mente

Mesmo estando com um coração carente

E onde a alma expande, o mundo nao tem fim
 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Abstrações juvenis

Um amiga especial me disse que é para eu ficar mais "abstraído”, ou melhor, “abstrair” os problemas que me cercam.


Pensando no que ela disse, eu viajei no tempo e encontrei lá no fundo um menino “desencanado” de tudo. Brincava em cima das arvores, não tinha medo das coisas, tinha fé e sorria muito.

Nessa pequena, mais frutífera viagem, o homem de quarenta se deparou com algo que já não é. Um jovem sonhador.

É triste essa constatação. Uma lagrima me engasga a garganta, de pensar no que já fui, nas coisas que sonhei, e hoje abandonei.

Um jovem idealista, sem medos, nem mesmo do maior de todos os medos...o amor. Não um amor qualquer, mas um amor pleno, um amor único e para sempre.

Quem ama plenamente se entrega de maneira única e sofre. Daí o medo.

Não sou tão leviano e simplório para falar apenas do amor de homem e mulher. Esse é muito importante e também muito sofrido. Mas não é tudo.

O amor pleno é maior que isso, mas acredito ser somente na juventude da alma que vivemos e somos felizes com ele.

O amor jovem e pleno é mais humano, acredita nas pessoas, em sua bondade e justiça. Amar as pequenas coisas que Deus nos deu, isso é amor pleno.

Mas já não sou mais tão crente e nem tão simples. A vida é dura e mostra sua face em cada esquina da desilusão, seja com um amor que se foi, uma vida que se perdeu ou uma amizade que por pequenas coisas morreu para sempre.

A vida passa, as dores nos transformam, as pequenas desilusões ficam grandes dentro de corações vazios e cheios de amarguras e frustrações.

Daí vem a gota final para acabar com a juventude humana: falta de amor próprio. Ela é a causa dos males mais profundos que vivemos. Desde uma doença até uma entrega na obsessão ao trabalho compulsivo. A falta desse amor essencial é causa da morte da juventude que um dia reinou em nossa alma divina.

Sim...divina. Todos nós temos uma essência divina, e com o passar dos anos e dos descuidos diários, somos levados a não acreditar e amar nossa essência. Trabalhamos pelo dinheiro e pelo poder. Vivemos pelo consumo e pela busca do belo vazio e morremos na crença de sermos ricos, cultos e bem sucedidos perante uma sociedade que destrói o próprio meio ambiente em que vive.

O amor próprio acabou e com ele o amor verdadeiro pelo próximo, pelos animais e pela vida em geral. Ajudar alguém hoje é sinônimo de trouxa, pois se a pessoa precisa de algo é porque não trabalhou, não foi produtivo, foi preguiçoso ou covarde. A justificativa sempre existe para não ajudar. Ajudar sem cobrar, ajudar sem jogar na cara ou pedir algo em troca. Isso não existe. Dar com uma mão sem a outra saber, já dizia o sábio.

Bom, tenho saudades de minha juventude. O garoto que ainda vive em mim quer sair da prisão. Quer ser mais abstraído, não colocar nos ombros algo que não me pertence. Ser mais sincero comigo mesmo e fazer o que eu realmente amo.

Difícil. Mas para um jovem de quarenta, a vida esta apenas começando...não é mesmo?