sexta-feira, 24 de setembro de 2010

recomeço


Hoje sonhei com algo estranho
que um pedaço de mim se dissolvia
e nada eu pudia fazer
pensei no sonho que tudo acabara
quando acordei, sorri feliz
o sonho se acabará
eu não mais me dissolvera
mas algo ficou
a vida passa rapido
e dissolver é o que todo dia acontece com nosso corpo, nossa mente
focar no que é importante é necessário
dissolver apenas o que não agrada
absorver o que é real e sonhar com um mundo
absorvido na vida plena...e como no paraiso, voltar a ser criança de novo !!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

penamentos de Outono


Outono é tempo nobre

tempo dourado que revive memorias adormecidas

tempo bom que não volta mais

o sabor dos cafés tomados cheio de carinho

o sabor do calor daqueles que partiram


Outono é tempo de perder as folhas dos sonhos não realizados

tempo de limpar e preparar

tempo de calar e sentir

sabores novos surgirão

calores novos chegarão


Outono é tempo de esperar...e de novo sonhar...



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Hoje fazem 40 anos que vim ao Mundo

Há 40 anos arás eu vim ao mundo. Num ano de muitas comemorações de 40 anos (home na lua, jornal nacional, TV cultura, etc) estou feliz e triste ao mesmo tempo. Não terei este ano o bolo de fubá de minha querida mãe, que lá do céu esta orando por mim. Não terei o abraço apertado de meu pai, que está hoje ao lado de minha mãe. Mas tenho o afeto de minha linda esposa e em seu ventre o pequeno Lucas aguarda para chegar ao mundo neste ano de 2009.
Nasci em 1969 no dia 09 do 09. O numero 09 sempre teve uma representação forte para mim. Neste ano de meu nascimento o homem chegou a lua, o jornal nacional estreou e a TV cultura foi ao ar. Os beatles caminhavam em Abby Road e a internet começava sua trilha que culmina em nossos dias. Loucos e apaixonados comemoravam em
Woodstock, paraíso sem limites do rock, do amor livre e da rebeldia de uma geração.
Eu, neste turbilhão todo, vinha ao mundo em um hospital simples da periferia de Santo André. Meus pais, que pouco tinham de bens materiais, compensavam em carinho e dedicação. Moravam na última rua de São Paulo, divisa com um riacho chamado Córrego Oratório e que se tornaria um dos lugares mais perigosos de criminalidade e trafico de drogas da capital.
Cresci em um oásis, cercado de violência por todos os lados. Minha mãe sempre me instruindo e me dando toda a segurança em sua fé e na crença de que um dia tudo ia melhorar. Enfim melhorou, 26 anos depois conseguimos sair do jardim Elba e da violência que lá corria e matava jovens por algumas gramas de pó.
São apenas 14 anos e ainda sinto a um grande alivio e agradecimento por sair daquele bairro. Mas o alivio vem mistura com as lembranças maiores e mais afetivas da minha juventude, nas árvores que subia o dia todo, do telhado onde empinava pipas, do riacho que tinha medo de atravessar em dia de chuva forte. Uma Infância lúdica, num universo cheio de imaginação, onde eu era sempre o herói que salvava a mocinha e fazia o vilão pagar por seus crimes.
São 40 anos de vida, mas parece que foi ontem que fui na minha primeira aula, aos 7 anos, numa humilde escola que tinha barracos de madeira como sala de aula e professoras dedicadas, como a dona Olinda, mulher bem arrumada e gentil que me ensinou a ler, ou a dona Lucia, professora da 4ª série, que um dia colocou a mão e minha cabeça, em plena aula, e disse a todos que se orgulhava de ter um aluno como eu. Fiquei vermelho como um pimentão maduro, mas nunca esqueci daquele carinho gratuito.
Foi naquele bairro cheio de morte, que celebrei a vida, cuidando de gatos, cachorros e passarinhos. Até uma tartaruga eu cuidei e alimentei. Certa vez criei um filhote de gato na mamadeira, pois sua mãe havia morrido em uma briga com outro gato. O bichinho conseguiu sobreviver e mesmo meio traumatizado pela perda da mãe, me trouxe muitas alegrias.
Foi lá também que aprendi a admirar os estudos, a dirigir carros e a me apaixonar pelas meninas. Sempre fui um apaixonado e sofredor platônico. Amei e fui rejeitado inúmeras vezes, mas nunca desisti. Sendo persistente, 34 anos depois encontrei meu verdadeiro amor: a Dani, mãe do Lucas, a minha linda dançarina do ventre e amiga de todas as horas.
Não posso reclamar de minha vida até aqui. Foi difícil, mas foi repleta de vida e paixão. Ajudando e colaborando com os que mais sofrem, a exemplo de minha mãe, fui sempre um rebelde “com causa”. Participei do fora Collor, das lutas a favor dos mais humildes, batalhei nas comunidades de base para eleger pessoas do povo, unidos por um ideal ajudamos o Lula chegar lá. Na faculdade de matemática, fui diretor do centro acadêmico “Honestino Guimarães” (líder estudantil que morreu na ditadura). Defendi a universidade pública no ABC e fui até delegado de congresso da UNE na Unicamp em 1990. Depois participei de grupos de jovens na igreja católica, onde sempre preguei a justiça e igualdade para todos. Não posso dizer que sempre fui ajudado e reconhecido pelo que fiz. Tive muitos inimigos, mesmo na igreja. Pessoas que não queriam o bem de todos, mas apenas o beneficio pessoal. Cansei de viver sob o domínio de padres rígidos e com a ajuda do padre Naves, parti para a luta pelos diretiros dos Sem-terra. Ajudei em acampamentos por todo interior paulista. Buscava doações de alimentos, remédios e carinho para todos aqueles que querem apenas um pedaço de terra para viver com justiça. Fui mais uma vez discriminado por aqueles que não entendem um movimento social. Alias, aqueles que reclamam dos sem-terra, jamais entraram em um acampamento e conversaram com seus líderes . Homens e mulheres que eram mendigos nas ruas das grandes cidades e foram transformados em cidadãos com independência de pensamento e força de vontade para reinvidicar seus diretiros perante os que não querem partilhar.
Aprendi muito em todos estes movimentos e lutas sociais. Agora aos 40 anos, busco um lugar para ensinar estes conhecimentos como professor. Falar sobre as lutas sociais e sobre minhas paixões: a dança, a fotografia e o cinema A busca ainda está começando e não encontrei ninguém que me acolhesse, mas sei que meu lugar está reservado e não vou parar de procurar.
Este mês meu filho Lucas nasce e sei que ensinarei a ele os pequenos segredos da vida. Ele saberá que existiram pessoas que deram sua vida para ajudar a construir um mundo melhor e isto não pode ser esquecido por nós.
Acredito no ser humano e apesar de seus inúmeros defeitos, a humanidade busca a felicidade e a união harmonioza com a natureza da qual também fazemos parte. Eu sou um desses que acredita e sempre vai acreditar na capacidade de gerar e promover a vida, sem medo das represálias e cada vez mais confiante no futuro que nos aguarda.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Palavras são palavras...mas...tenha dó!

Hoje pensei no poder das palavras. Coisa já sabida em diversas culturas e que às vezes não damos a devida importância.
Em uma reunião de trabalho, com a vice-presidência, a diretoria e toda a equipe, a palavra mais usada para acentuar uma situação foi "agressiva"! Isso mesmo. A palavra "agressiva" que para nossos ancestrais do tempo das cavernas deveria ser algo como, "animal agressivo", "inimigo agressivo" ou coisa parecida, para nós do mundo corporativo virou coisa boa, de incentivo para melhorar e conquistar. Talvez estejamos retornando para a época das conquistas de Alexandre, "o grande" ou as batalhas de Roma antiga, onde a agressividade dos combatentes é que determinava o futuro das nações. Mas por que isto acontece?
Gostaria de pensar que é algo saudável, mas não consigo. Pense na seguinte colocação do seu chefe: Você precisa ser mais agressivo, precisa vencer suas “metas”. Está aí outra palavra muito usada ultimamente: “metas”. No dicionário quer dizer: “Poste, marco, cordel ou qualquer outro sinal que indica ou demarca o ponto final das corridas (de pedestres, de cavalos, de regatas, etc.)”. Não somos cavalos e “aparentemente” não estamos em uma corrida. Mas na prática é isto que fazemos o dia todo, corremos e corremos. A linha de chegada, cada vez mais distante, ou mesmo inexistente, nos impulsiona a querer e correr cada vez mais.
A agressividade talvez seja o combustível para atingir as metas? Pensando nisto me vem na mente outra palavra bem utilizada em nossa sociedade empresarial: “alinhar”. Tudo é “alinhamento”, “vamos alinhar aquele assunto?”, “...a reunião foi para alinhar...”. O verbo alinhar esta em alta. O sentido da palavra é : “Dispor em linha reta”. Podemos até conjugar uma frase completa usando estas três palavras de maneira que qualquer diretor de empresa ficaria muito feliz: “precisamos Alinhar Agressivamente nossas Metas para este ano”. Traduzindo para seu real significado ficaria: “Precisamos colocar em linha reta de maneira destrutiva e hostil nosso ponto final da corrida para este ano!”. Não vejo nenhuma beleza nesta frase.
Onde foram parar as frases: “Nossa alegria é poder fornecer algo de bom para a humanidade?”, “Precisamos fazer as coisas com amor para que todos se beneficiem”, ou ainda “não tenha pressa, faça bem feito e mostraremos ao mundo algo melhor”. Parece “piegas” e até inocente ouvir isto hoje em dia. Mas juro que acredito que o mundo seria bem melhor se fosse mais “lento”, mais “gentil” e sem nenhuma linha de chegada imaginária e que na prática nunca iremos atravessar.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Primeiro Poema

Curto

Não salvei e perdi
Nunca mais terei eu mesmo
Aquilo que somos é breve
Salvar é preciso...sempre e em todo lugar!