terça-feira, 13 de março de 2012

Hollywood Project e o "busão" delivery

O "mundo" de Hollywood aprendeu a fazer projetos a muitas décadas atrás. Os grandes estúdios nasceram da crescente necessidade de produzir filmes com um certo padrão estético, em escala e que fossem lucrativos. Mas nem sempre foi assim. No inicio o cinema era "caseiro", com produções que mais pareciam peças de teatro filmadas e não tinham a estrutura atual, como áreas específicas que cuidam de cada parte da construção de uma bela imagem.

A indústria do cinema nasceu a partir dessa necessidade de criar um mundo de fantasia que envolvesse o espectador e gerasse lucro diante de um único objetivo: diversão.




Para desenvolver as mega produções foram criadas áreas especificas para produção dos filmes e que foram categorizadas em gêneros, como o Western, Comédia, Drama, etc. Essa classificação ajudava na produção, pois as áreas acabavam se especializando em determinado gênero, aumentando a produtividade, diminuindo custo e garantindo qualidade  nas "entregas" dos filmes nas telas de todo mundo.

Alguém já sentiu essa mesma necessidade dentro das empresas? criar uma especialidade e focar para garantir entregas rápidas, econômicas e com qualidade?
Esse "máxima" já identificada por Hollywood  na década de 20, por incrível que pareça, ainda causa espanto em muitos gestores de grandes empresas. Muitos deles ainda acreditam ser possível fazer diversos "grandes" projetos pela mesma equipe e garantir tempo, qualidade recorde e claro sem gastar muito.

Um amigo colocou a seguinte placa na sua mesa:

"O Impossível fazemos na hora. Milagre só amanhã!".





Vamos fugir um pouco da questão complexa que envolve fazer filmes e vamos a um contraponto, onde darei um exemplo mais simples da realidade que vivemos no desenvolvimento de projetos complexos nas empresas.

Imagine que você precise pegar um ônibus para determinado local, mas esse ônibus é diferente dos demais, ele tem um motorista que vamos chamar de "sr. Flexível".
O ônibus não possui itinerário definido. O motorista atende ao pedido de cada passageiro que entra no ônibus. O pedido do último passageiro a entrar no coletivo é quem determina a próxima parada. Pergunta: Caso seu destino seja a Av. Paulista e o passageiro que acaba de entrar pedir para ir para Diadema, quando você vai chegar a seu destino?
Agora faça uma associação desta metáfora com as empresas atuais:

O Ônibus é a empresa, o motorista é a equipe de projeto, os passageiros são os gestores e os projetos os destinos de cada um. 

Ninguém vai chegar a lugar algum com satisfação e qualidade (ônibus perdido e sem destino), o custo vai ser altíssimo (combustível gasto sem critério e foco) e a equipe (motorista) vai ficar ouvindo reclamações o dia todo, cada um querendo priorizar seu destino (projetos sem fim).

Uma simples metáfora, mas com grande visibilidade do problema que enfrentamos nas grandes corporações hoje em dia.

Mas existe solução? quem  poderia otimizar esse "Ônibus", ajudar esse "motorista" e fazer os "passageiros" se entenderem e chegar em um lugar comum com agilidade, qualidade e baixo custo?

Retomando a questão dos filmes e das grandes produções, é raro vermos um grande diretor de cinema, como Wood y Allen, Spielberg ou Tarantino fazendo cinco filmes ao mesmo tempo. O segredo deles é o foco, gerenciando a equipe em busca de um grande filme por vez. E veja que os orçamentos deles são infinitamente maiores que a maioria dos projetos que trabalhamos em nossas empresas. O risco é alto, mas o compromisso e foco são maiores ainda.

No ambiente corporativo tradicional, já existem algumas iniciativas para garantir o foco, aumentar a transparência e o compromisso de todos. São os chamados  frameworks “Ágeis” em desenvolvimento de projetos. Eles nasceram dessa necessidade crescente e alguns já tem mais de 20 anos de aplicação em projetos pelo mundo.
A essência desses frameworks “Ágeis” são o foco na entrega com valor agregado para quem vai utilizar o produto final, com time especializado, auto gerenciável e dedicado e definição clara da "visão" do projeto, ou seja, do "destino" que seu ônibus quer chegar.

Um desafio que cada um “sente  na pele”, mas poucos tem a coragem de mudar.

Mas sejamos positivos, pois a indústria do cinema levou mais de cem anos para chegar nesse patamar de foco e qualidade e nós ainda...eu repito... “AINDA”  temos tempo para aprender a gerenciar e priorizar  nossos "destinos".


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