segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Letargias disléxicas: um mal da pós-modernidade


Acredito que os termos de meu título não são de conhecimento geral. Mas são extremamente pertinentes para o que quero ilustrar.
Letargia:  perda de sentidos e estado de suspensão que simula a morte.
Dislexia: dificuldade de associação que dificulta o aprendizado, como a alfabetização, localização espacial, etc;
Pós-modernidade: situação temporal da humanidade, onde existe a coexistência entre o moderno e o contemporâneo.
Dicionário posto, vemos que atualmente muitos de nós, inclusive eu, sofrem desse  mal que deliberadamente nomeei de “Letargia Disléxica”, que se resume em: dispersão parcial das coisas importantes, vivendo parcialmente e de forma incompleta cada momento da vida.
Para digerir melhor o assunto vamos por partes:
Síndrome da comunicação de massa: vivemos em um mundo de alta complexidade tecnológica que facilitam a comunicação social entre as pessoas e empresas. São emails, SMS´s, internet, facebook, i-tudo (ipad, iphone, etc), smart phones, televisores 2D, 3D, high definition, qualquer musica em qualquer lugar, videogames de última geração, acesso rápido a qualquer informação do bairro, cidade, mundo, universo. Tudo em velocidade 3G, 4G e não sei mais quantos G´s vem pela frente. A ânsia de saber e conhecer tudo nos faz abraçar as tecnologias ao ponto de quando esquecemos nossos celulares em casa, parece mais que faleceu alguém na família...puro desespero. A tecnologia virou uma extensão de nossos corpos e de nossa mente. Faça um teste: entre em um ônibus ou trem e conte quantas pessoas NÃO estão conectadas, seja ouvindo musica, mandando msg´s ou falando ao celular. A tecnologia da comunicação esta disseminada entre todas as “castas” de nossa sociedade, ricos, pobres, velhos, crianças, de qualquer nacionalidade ou raça.
Quando um desastre de trem ocorre na China, em poucos segundos, ouve-se comentários do assunto em todas as redes conectadas pelo mundo e você fica sabendo, mesmo sem querer saber desse fato.
Somos bombardeados por milhares de informações por dia, muitas delas que não vão fazer a menor diferença em nossas vidas, mas a “síndrome da comunicação de massa” não permite que eu ou você fiquemos alheios a isso. Isso gera a dispersão em nossas mentes, pois consumir tudo isso gera um enorme esforço. No final de um dia de trabalho,  estamos cansados sem saber direito o porque, mas nossa mente sabe o quanto teve de “malhar” para ficar antenada com tudo que ocorre a nossa volta.
Além das noticias, outro ponto importante são os derivados na mídia das massas, como programas de TV ou conteúdos da internet. Nunca vi tanta variedade em programas, filmes, series e conteúdo na web, como hoje em dia. Há 35 anos atrás, tínhamos 3 grandes estreias de filmes  no ano, hoje temos 10 ou mais estreias por semana, sendo impossível acompanhar todos os lançamentos (coitado dos críticos de cinema). Não é por acaso que vivemos “zapeando” o controle remoto, passando por diversos canais, sem parar para assistir nenhum deles por mais de 5 minutos (ou menos para os mais ansiosos). É uma busca pelo novo que não tem fim, uma ânsia de algo que nos complete e que não sabemos onde está, mas com certeza o controle remoto não irá nos levar até lá;
Sofremos de uma “letargia” perante os instrumentos de comunicação de massa, como zumbis que devoram carne fresca, insaciavelmente e sem uma razão.
Dispersão no ambiente de trabalho: as ferramentas de comunicação estão no ambiente de trabalho e como no ambiente social ajudam a causar a dispersão compulsiva. Canso de ver reuniões de trabalho com o seguinte cenário: um orador falando um assunto importante para uma plateia dispersa, alguns falam ao celular, outros navegam no smart phone ou notebook, e lá no canto vemos um ouvinte quieto e pensativo sem interação – motivo: esqueceu o celular em casa e está em desespero de causa pensando quem poderá estar ligando ou mandando msg para ele naquele momento. No fim da reunião, poucos entenderam o que foi dito, pouco foi debatido e provavelmente quem estava presente só com o corpo (pois a mente estava em outro plano) vai questionar por email depois tudo o que foi debatido na reunião. Resumindo: marca-se outra reunião de “alinhamento” e tudo se repete de novo.
Outra situação: você é chamado pelo seu chefe em sua mesa para falar de um assunto importante. Do momento que você senta, já começa a dispersão. O chefe esta lendo um email no computador e enquanto fala tenta escrever. Ele faz a introdução do assunto e te pergunta uma coisa, você responde e ele vai falando enquanto escreve outra msg “hum hum...sei...hum..hum”. O chefe atende uma ligação, depois duas, depois três, até que tira o telefone do gancho falando que “assim não dá”. Retoma o assunto e chega uma msg no celular, ele tenta fingir que não ouviu o bip e tenta continuar a conversa, novo bip e ele pede um segundo. Vê a msg e diz, essa eu tenho de responder. Manda outra msg e retoma o assunto, mas já pulando uma parte. Você não entendeu nada ainda. Entra alguém na sala sem bater e fala que tem um email critico na caixa do chefe. Ele interrompe de novo e lê o email. Levanta e sai falando que o “bicho tá pegando” e que volta a falar com você depois. Resumindo: você pensa que se seu assunto era critico e teve esse tipo de tratamento, imagine um assunto trivial;
Isso ocorre o tempo todo nos ambientes empresariais, consultórios médicos, atendimentos públicos, lojas, etc; as pessoas não conseguem mais se concentrar em um único assunto por vez até concluí-lo. Tudo é por fragmentos e de novo temos um enorme esforço para juntar os pedaços lançados durante todo o dia e criar um único argumento que faça sentido e tenha um valor para nós. Muitas vezes não conseguimos e vem aquele enorme sentimento de culpa, de incompetência, de descaso com nossa pessoa e nosso profissionalismo.
Temos a impressão que somos “dislexos” perante os assuntos do cotidiano, sejam eles simples ou complexos, não conseguimos dar foco em nossas conversas com amigos de trabalho, parentes, filhos, cônjuges. Não conseguimos nem ouvir e entender nosso próprio “eu”  interior, pois o mundo externo nos provoca o tempo todo, sem pausa, sem descanso, sem dó.

Mas de quem é a culpa desse enorme movimento de “Letargias Dislexicas”?
Não coloque a culpa em seus chefes, na empresa na qual você trabalha, nas mídias de massa e muito menos no colega que não te ouve. Isso é mais profundo que encontrar um culpado. No meu modo de ver, sofremos desse mal devido a nossa própria condição de seres inteligentes e que possuem a enorme capacidade de adaptação.
Experimentamos coisas que nos fazem sentir mais fortes, mais inteligentes, mais onicientes do mundo ao nosso redor, mas como o homem que ficou no deserto dias sem comer e sem beber, quando vemos alimento, nos afogamos nele até passarmos mal de tanta informação.
Somos esponjas que não tem controle daquilo que sugam e se todos nesse circulo tem a mesma propensão, o ciclo se fecha e o mundo gira sem parar, em torno dessa obcessão pelo poder total, pelo desejo de terminar tudo o que foi iniciado, a qualquer preço. Não importa quem começou o jogo, o que importa é terminar da forma mais rápida, econômica e lucrativa possível, pois outros projetos virão, outras formas de ganhar dinheiro virão, outras formas de consumo virão e a roda precisa girar sempre.
Mas tudo é finito no mundo material. O mundo está sofrendo dessa síndrome do consumo sem fim. O desperdício gerado por esse consumo desenfreado esta acabando com as riquezas naturais e deixando o planeta pelado, sem perspectivas, sem futuro. A Letargia disléxica é apenas um sintoma desse consumo voluptuoso, desse desespero do poder sem medida. Ela apenas mostra que algo esta errado, que não podemos nos deixar levar pela síndrome, que podemos frea-la enquanto existe tempo para isso.
Viver e deixar viver. Esse pequeno detalhe que nos esquecemos de pensar no dia-a-dia e que não tem nada de religioso, mas de humano. Pensar no próximo é pensar em detalhes, desde ouvir seu amigo que fala, sem interrupções, até reduzir a quantidade de gases poluentes na atmosfera. É saber ouvir o que o mundo pede, cada assunto com sua importância e sem essa ânsia desesperada em consumir, seja uma informação, uma arvore, ou a vida de toda raça humana.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A dor de escrever

Escrever é algo que também doi. Pensar em algo que machuca e colocar no "papel" digital da tela na net doi duas vezes.
Queria enterrar o que sinto. Deixar bem la no fundo da alma, de um jeito que eu mesmo não possa ver. Devia existir um botão de liga/desliga no nosso pensamento. Colocar um basta naquilo que não podemos ter agora e pensar só em coisas boas. Porque será que é tão dificil esquecer coisas que machucam? hoje não é um bom dia para sentir tamanha dor. Quando pensamos no que tinhamos e não davamos valor, a vontade é de chorar as lagrimas mais doliridas da alma. Pensar nas pessoas que nos amaram de verdade e não estão mais aqui, pensar no carinho gratuito que nos foi dado a vida toda e que agora parou. Dói demais as vezes viver.
Deveria não colocar tamanho sentimento triste em meus escritos, mas achei que a dor iria melhorar. Mas não melhorou, apenas sei mais do que nunca que os sentimentos não nos pertencem, devem ser de algum modo controlados por anões loucos, chifrudos e demoniacos, que se divertem com nosso sofrimento.
Eles devem ter controle sobre a mais pura lembrança de amor e depois a confrontam com a solidão atual, destruindo toda esperança que um dia possa reinar numa mente normal.
Já não sei como escapar dessa armadilha dos anões demoniacos do coração. Talvez uma poção anti-anão demoniaco faça efeito, mas ela deve ser cara demais, e além de mal amado estou um pouco pobre também.
Antes que a escrita se transforme em lamúria vou parar por aqui. Pensar em escrever não foi boa idéia, não foi nem de perto uma idéia que me fizesse ter algumas esperanças.
Melhor eu acreditar logo em algo maior, senão mais e mais anões estarão rindo desse pobre e dolorido escritor.

"O homem que não crê nele mesmo, jamais poderá criticar aqueles que dele duvidam" - Geraldo Lima



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quem quer ser meu amor?

Quem quer ser meu amor?
alguém para poder dizer " te amo"
queria eu poder amar de novo
nem que seja escondido desse mundo insano

você pode estar  longe ou muito perto
talvez só exista em minha imaginação
a vida é injusta nessa horas
queria eu poder saber onde esta seu coração
 
sei que o amor é um grande engano
mas sei enganar também
sei que é muita dor esse tal amor
mas sem essa dor não sou ninguém

eu fico atolado de desejos
mas  ninguém consigo encarar
se você ainda não existe
no meu coração para sempre vou te criar 


.








sexta-feira, 29 de junho de 2012

Amor Vazio

Prefiro o vazio da alma

Que um amor não correspondido

No vazio pelo menos há expansão da mente

Mesmo estando com um coração carente

E onde a alma expande, o mundo nao tem fim
 

domingo, 24 de junho de 2012

Ganhar ou perder

Antes que a bandeira da vitoria
asteada possa ser
muitas pequenas derrotas
teremos de sofrer

A vida nos confronta com o inimigo
o medo e a dor são uma constante
gritos de vitoria antes da hora
nos enfraquecem a cada instante

Mas vencer é apenas um detalhe
na mente do forte já aconteceu
basta sair dos braços da sorte
uma realizade que ainda não morreu

Desafios daqui e dali
mortais um dia serão
mais um dia que nasce
no outro também já se vão

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Perdão e mágoa

queria pedir perdão
a quem um dia magoei, sem saber porque
pois alguém também me magoou
e sem saber porque
também não perdoei

perdão e mágoa andão juntos
sempre a se anular
pois quando se perdoa de verdade
abrimos uma brecha para se amar

terei eu perdoado?
quem me dera isso fosse fácil
aquela que me magoou
no momento do perdão, eu sei
para sempre se apagou


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Abstrações juvenis

Um amiga especial me disse que é para eu ficar mais "abstraído”, ou melhor, “abstrair” os problemas que me cercam.


Pensando no que ela disse, eu viajei no tempo e encontrei lá no fundo um menino “desencanado” de tudo. Brincava em cima das arvores, não tinha medo das coisas, tinha fé e sorria muito.

Nessa pequena, mais frutífera viagem, o homem de quarenta se deparou com algo que já não é. Um jovem sonhador.

É triste essa constatação. Uma lagrima me engasga a garganta, de pensar no que já fui, nas coisas que sonhei, e hoje abandonei.

Um jovem idealista, sem medos, nem mesmo do maior de todos os medos...o amor. Não um amor qualquer, mas um amor pleno, um amor único e para sempre.

Quem ama plenamente se entrega de maneira única e sofre. Daí o medo.

Não sou tão leviano e simplório para falar apenas do amor de homem e mulher. Esse é muito importante e também muito sofrido. Mas não é tudo.

O amor pleno é maior que isso, mas acredito ser somente na juventude da alma que vivemos e somos felizes com ele.

O amor jovem e pleno é mais humano, acredita nas pessoas, em sua bondade e justiça. Amar as pequenas coisas que Deus nos deu, isso é amor pleno.

Mas já não sou mais tão crente e nem tão simples. A vida é dura e mostra sua face em cada esquina da desilusão, seja com um amor que se foi, uma vida que se perdeu ou uma amizade que por pequenas coisas morreu para sempre.

A vida passa, as dores nos transformam, as pequenas desilusões ficam grandes dentro de corações vazios e cheios de amarguras e frustrações.

Daí vem a gota final para acabar com a juventude humana: falta de amor próprio. Ela é a causa dos males mais profundos que vivemos. Desde uma doença até uma entrega na obsessão ao trabalho compulsivo. A falta desse amor essencial é causa da morte da juventude que um dia reinou em nossa alma divina.

Sim...divina. Todos nós temos uma essência divina, e com o passar dos anos e dos descuidos diários, somos levados a não acreditar e amar nossa essência. Trabalhamos pelo dinheiro e pelo poder. Vivemos pelo consumo e pela busca do belo vazio e morremos na crença de sermos ricos, cultos e bem sucedidos perante uma sociedade que destrói o próprio meio ambiente em que vive.

O amor próprio acabou e com ele o amor verdadeiro pelo próximo, pelos animais e pela vida em geral. Ajudar alguém hoje é sinônimo de trouxa, pois se a pessoa precisa de algo é porque não trabalhou, não foi produtivo, foi preguiçoso ou covarde. A justificativa sempre existe para não ajudar. Ajudar sem cobrar, ajudar sem jogar na cara ou pedir algo em troca. Isso não existe. Dar com uma mão sem a outra saber, já dizia o sábio.

Bom, tenho saudades de minha juventude. O garoto que ainda vive em mim quer sair da prisão. Quer ser mais abstraído, não colocar nos ombros algo que não me pertence. Ser mais sincero comigo mesmo e fazer o que eu realmente amo.

Difícil. Mas para um jovem de quarenta, a vida esta apenas começando...não é mesmo?