terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ser alguém para ti

copiar sua face em meu coração
fazendo de ti uma esperança maior
onde o tempo não passa
e a alegria viverá sem parar

ser alguém para ti
ser sua foto de cabeceira
é muito, é tudo que sempre quis
não posso parar de sonhar

querer é sofrer
sem saber se um dia vai acabar
falta de quem um dia
me perdeu sem pensar

quero pensar na solidão
como algo sem coração
e lá bem fundo
irei me ver em seu olhar


sábado, 5 de janeiro de 2013

Abelha no pé



Hoje uma abelha pousou em meu pé. Não quis mata-la, pois sou contra matar qualquer ser vivo sem um motivo maior (só uma ressalva: Pernilongos não fazem parte dessa regra). Entenda “motivo maior” como sobrevivência minha ou dos que me cercam. Pode parecer uma visão um tanto “fria e calculista”, mas reflete o que a maioria de nós faz sem pensar. Matamos formigas, abelhas, pernilongos (esses sempre), bactérias, vírus, bois, galinhas, avestruz e outros bichos, para defesa ou alimentação.

Mesmo que não matemos com nossas próprias mãos, fazemos parte do processo de morte que cercam a cadeia alimentar, só que “terceirizamos” a punhalada final e o dilaceramento dos bichos para aqueles que têm coragem ou necessidade para tanto. 

Não sou vegetariano e tão pouco defensor “xiita” de animais, mas se fosse para matar com as próprias mãos um animal para comer, com certeza seria vegetariano convicto.
Bom, depois dessa explanação, vocês viram que na verdade sou um “carnívoro covarde” e que uso de outros para obter o prazer do alimento fácil e suculento na mesa. Triste, mas é o que a maioria de nós é:  um “consumidor voraz”, mesmo sem querer.

Mas qual a diferença entre esmagar sem querer uma formiga, ou comer “sem saber” um animal que veio da “terra do nunca” do supermercado?

Somos na essência predadores. Como toda natureza é. Diariamente animais devoram outros animais para sobreviver, sem dó, pois na cadeia alimentar essa palavra não existe. A sabedoria milenar garante a reposição dos mortos para dar garantia da sobrevivência das espécies, mas tudo dentro de um ciclo natural, onde a vida renasce depois da morte.

Essa relação de reposição também existe na natureza corporativa das empresas. Somos todos elementos que compõe a sofisticada engrenagem que faz girar a economia moderna. Assim como a abelha que colhe o pólen para alimentar a cadeia da colmeia, somos operários que trabalham para o sustento da nossa “colmeia” corporativa.

Nascemos para isso, pois desde pequeno nos perguntam o que seremos quando crescer. Quer dizer:  Que tipo de operário você vai ser quando crescer? Uma abelha operária (trabalhos braçais e intelectuais), uma abelha soldado (militares e afins), uma abelha rainha (empresários,  políticos e afins)? 

Nessa cadeia, somos ao mesmo tempo a essência e o descarte. Num dia somos a coisa mais importante para o lucro da corporação, no dia seguinte somos um número na lista de demitidos. Lembre-se de casos que vocês já viram: o diretor “fodão” de hoje é o desempregado “fudido” de amanhã, temporal, necessário enquanto dure. E isso não é característica de uma ou outra empresa, mas sim do sistema existente hoje.

É claro que demissões e contratações fazem parte do ciclo de vida corporativo, mas o que realço nessa história toda é a semelhança com o mundo “animal”. Quando uma zebra é morta nas pastagens da áfrica pelos leões, a manada de zebras fica nervosa e em pânico por alguns momentos, mas logo já esquecem a “companheira” morta e seguem a vida normal. Quando alguém é demitido, também existe uma algazarra inicial, mas que desaparece com o tempo.

Somos células desse complexo e portanto descartáveis, pois novas células irão nascer. Isso vale para toda pirâmide, desde o presidente  “abelha rainha” até o mais simples operário que colhe o “pólen” atrás de balcões e escrivaninhas.

Mas o ponto principal desse meu devaneio filosófico é exatamente o ponto que nos difere na vida animal na terra. Pergunto: diante disso tudo, o que acontece quando colocamos a corporação “colmeia” acima da vida pessoal?

 São muitos os empresários “fodões” que perdem suas famílias e outros tantos que sofrem de depressão, estresse e grandes vazios da alma diante da vontade de ser o “melhor leão da selva”. Mas o leão de verdade não pensa assim, pois depois que ele mata a zebra e alimenta sua família ele fica “um tempão” sem caçar de novo. A natureza sabe a hora de correr atrás da presa e a hora de deitar debaixo da arvore para descansar.

 O Homem moderno perdeu essa essência do descanso e dos prazeres simples da vida, e fica acumulando “zebras mortas”  que acabam fedendo e deixando um rastro de morte e putrefação por onde passam. Com isso eles deturpam a natureza das coisas, eles obrigam toda a cadeia a se alimentar sem necessidade, destruindo o mundo e fazendo da vida de todos uma corrida sem fim para o nada, ou melhor, para a morte sem renovação.

O “motivo maior”, aquilo pelo qual vale a pena viver,  ficou sem sentido e perdido em textos desvalorizados da Bíblia, Alcorão e do Torá. Somos crias de um sistema que nos esmaga como formigas e que não nos permite valorizar a vida em sua plenitude.

Somos pequenos em todas as “grandezas” que fazemos nessa corrida moderna, pois a essência das coisas esta exatamente na simplicidade e no amor pleno pela vida, seja por um simples inseto (mesmo um pernilongo) até um ser humano cheio de desejos, necessidades e amores.





terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Gavetas velhas

as vezes para podermos recomeçar
é preciso eliminar pesos extras
apagar coisas que não saem do lugar
recomeçar outras do zero
esquecer de vez aquelas pelas quais sofremos
de tanto desejar

esse trabalho é arduo
mas precisa ser feito
limpar gavetas velhas
dar lugar ao novo
dar oportunidade as coisas
não planejas entrarem em nossa vida

nem tudo que queremos é possivel
aquele toque de carinho
aquele telefonema especial que iria nos alegrar muito 
aquele sorriso de companheirismo diario

mas devemos agradecer
porque, se nos faz falta hoje
é porque já tivemos isso algum dia
e quem sabe voltemos a ter num futuro próximo
que somente a nossos sonhos pertencem.





segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Velho novo ano !!

Sempre acreditei que a maneira como vemos as coisas é que nos torna únicos. Dentro desse contexto, além de determinar nossa identidade como pessoas complexas e originais, o jeito que vemos as coisas determina nossa capacidade de ser otimista ou pessimista.

Quando o ano termina, essa capacidade de ver nossas realizações pelo lado positivo é o que determina as energias para um ano que começa. Se olharmos para o que passamos no ano que finda com alegria, ponderando nossas falhas, mas acreditando que fizemos o melhor, temos grandes chances de alcançar nossos sonhos no novo ano.

Mas se pensarmos apenas nas crises, nas falhas nossas e dos outros, na raiva que temos de um ou de outro, nas perdas, nas derrotas, começaremos um ano muito pesado e com muita energia negativa.
Estar vivo é cometer erros. Como dizem os sábios “só não erra quem não tenta ou já morreu”. Saber dar a volta nas falhas e começar de novo é um dom que o ser humano possui e que precisa usar sempre.

O ano que passou foi meu ano “um”. Aquele que tive de aprender tudo de novo. Aprender a morar com desconhecidos, aprender a partilhar meu filho, aprender a ter paciência, desprender de bens materiais, aprender de novo a ser só.

Não posso dizer que foi fácil, mas aprendi muito e tive muitas pessoas que me ajudaram...algumas perto, outras longe e muitas virtuais.

Quando se tem pouco, se valoriza muito. E é isso que tenho hoje...pouco, mas tudo com muito amor e dedicação.

No ano que nasce, acredito que estarei pronto para colher minha semeadura. Estarei pronto para ser quem desejo ser. Estarei pronto para ousar na medida de meus sonhos, sem medos tolos, sem mesquinharias e com grandes esperanças de novas portas que vão se abrir para meus desejos, meus prazeres e um novo e eterno amor...mas, eterno enquanto dure...é claro !!!


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Eu não sou cachorro não

As canções de amor relatam sempre o desejo insaciado de um poeta mal amado. Mas o que seria então das canções sofridas de amor se esses poetas pudessem ter ao seu alcance, sempre o seu grande amor?

Não existiriam!! Não alimentariam de dor e esperanças outros amantes tão sofridos como o poeta. A dor cria, alimenta e nos dá frutos, mesmo que sem buscar esse fim.

Na dor de alguém que perdemos, mora uma saudade que jamais iremos abrandar. Ela só aumenta e nos descontrola. Ela só realça aquilo que não temos mais ou que nunca tivemos.

Mas a saudade tem um lado menos negro. Não é que seja plenamente bom ou saudável, mas ela alimenta algo que não esta dentro da felicidade. Ela alimenta um sonho, um desejo de que o alguém que perdemos um dia ira voltar, seja nessa ou em outra vida, mas vai voltar.

Esperamos ansiosos, como aquele cachorrinho abandonado pelo dono na beira da estação, cada ônibus que chega é uma nova esperança que o dono volte. E lá ficamos nós abanando o rabo em cada telefone que toca, cada email que chega, cada torpedo recebido. Em vão.

A pessoa amada não volta. Ficamos tristes, mas pensamos: Ela deve estar sofrendo como nós. Mas não se engane...ela não esta. A saudade fez isso por nós. Criou essa fantasia, criou esse completo engano, onde a fantasia do cachorro na estação existe e o dono não voltará, pois ele te abandonou de propósito e sem remorso.

Nessas horas, temos de ser fortes, sacudir a poeira, parar de balançar a calda para qualquer um de mala na mão e procurar outro alguém, sem pressa e sem medo.

Difícil?  Sim, muito difícil...difícil até de escrever que é difícil. Mas possível!!!

Escreva uma canção de amor, um poema, ou apenas ouça ou leia algum que possa te fazer sentir mais igual a outros com o mesmo problema.

Sim, é uma terapia coletiva ouvir uma musica de corno, ou de alguém que jamais veremos de novo, pois sabemos que quem escreveu também sofreu do mesmo que nós, e assim fica mais fácil aceitar o que se passou.

Musica de corno é a melhor terapia já criada para nossa alma. Tanto que vende como água e delas precisamos muito para nossa sanidade mental.

Todos que já ousaram amar passaram por isso. Pois amar é um risco, dos maiores que podemos ter nessa vida. Mas sem o amor, tudo fica pálido, sem sal, sem açúcar, sem medos e sem vitórias.

Bendito o corno que se levanta e vai a luta. Bendito o mal amado que não teme começar tudo de novo. Bendito o que vem em nome de um novo e inseguro amor.

Amém.





Impossibilidades de um jovem poeta

hoje te vi novamente
linda e tão reluzente

difícil escrever e descrever o que vi
talvez somente um anjo possa

num segundo seguinte, veio um lindo sorriso seu
e mesmo sincero, não era para mim

tratei então de rouba-lo
e guarda-lo para sempre no meu baú do amor sem fim





segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sal da vida

quando nada tenho a dizer
ficar quieto é um dom
como acertar no tempero de sal

mas meu ego quer ser maior
quer ser unico
quer ser  o tal

ele ri
se diverte
é puro carnaval

mas quando esta perto de você
ele perde o rumo
se cala e me dou mal

enfim é mais forte que eu
viver te esperando
aguardando um pequeno e simples sinal