segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mão na massa: tudo uma questão de tempo

Ando inspirado para cozinhar. E, em minhas aventuras pelas panelas, fornos e farinhas, penso também em como melhorar o gerenciamento de projetos;

Quem não cozinha ou pouco se aventura nessa arte, pode não entender as comparações que faço entre os universos gerenciais de projetos e os culinários;

Minha última investida foi na confecção de pães caseiros; busquei na velha caderneta de mamãe (ela fazia ótimos pães e era muito criativa) um básico pão de sal para o café da manhã;

Como tudo na culinária (e em projetos), olhando a receita (ou os processos de governança e metodologias) parece muito fácil. Basta comprar os ingredientes, misturar tudo, forno e pronto...pão quente e fresquinho para todos se deliciarem. Mas na prática as coisas são um pouco mais complexas e exigem atenção, preparo e muita dedicação;

Traçando um comparativo, vejo os seguintes pontos:

Pão

1) Escolher a receita (pão doce, salgado, etc)

2) Adquirir e separar os ingredientes nas quantidades certas;

3) Misturar os ingredientes na ordem e temperatura corretas

Projeto

1) Definir qual objetivo do projeto;

2) Definir equipe certa e os requisitos possíveis e necessários;

3) Misturar os ingredientes.... ??????????

Atenção, muita atenção nessa etapa. Em minha opinião, é nesse ponto 03 que os projetos têm maior chance de dar errado e os pães também.

Quem cozinha sabe que a arte de fazer bem um prato é saber misturar os ingredientes na quantidade certa e temperatura adequada, unindo os ingredientes afins em momentos certos e fazendo “camadas” nas quais cada ingrediente cumpre sua função. Mas além de tudo isso, cada mistura precisa de “seu tempo” específico para estar pronta.

No caso dos pães, a massa precisa ser “sovada”, ou seja, precisa ser amassada até ter a consistência adequada e para que o fermento e o glúten cumpram sua função, dando a liga necessária para o pão crescer e ficar no ponto para levarmos ao forno;

Em projetos, quando misturamos os “ingredientes”, como idéias de negócios + idéias de TI + idéias de qualidade, em qualquer tempo e ordem, pensamos que poderá haver um resultado positivo, ou o “pão quentinho” no final da jornada.

Mas se até para fazer um simples pão tenho de respeitar as leis da química e deixar o pão criar sua “liga” e crescer, porque em projetos milionários e complexos, acreditamos ser possível ter uma boa “liga” sem deixar os requisitos “amadurecerem e crescerem” até o ponto de ser colocado no forno?

A maioria dos projetos que vemos, tem um curto período para esse amadurecimento, para que a “massa cresça” e possa ser usada. Acreditamos (não sei por onde) que colocando as pessoas certas numa sala, com uma idéia inicial do objetivo, em uma semana teremos todo amadurecimento que um projeto precisa ter para ser de sucesso;

(pão) Doce engano! Pois, o que vemos, é um pão duro e que não cresceu o suficiente para levarmos ao forno. Mesmo assim tentamos assá-lo e fica tudo uma droga.

Quantos “pães” nós não tivemos de jogar fora e começar tudo de novo, desperdiçando tempo, dinheiro, imagem e recursos da empresa. Tudo isso, somente porque não tivemos a paciência e perseverança para saber até onde “amassar” cada idéia, respeitando cada etapa do “framework” de engenharia e ajudando a “massa” das idéias e da qualidade a crescer e ficar no “ponto”;

A receita de minha mãe ficou pronta. O pão é uma delicia e acaba rapidinho. Projeto bom também é assim, todo mundo quer um pedaço “quentinho” com a “maciez” da lucratividade e do retorno adequado, seja ele operacional, gerencial ou comercial.

Querem a receita de minha mãe? Sovar, meu filho... até a massa fazer “bolhinhas” e crescer longe das correntes de ar “de outros projetos novos e urgentes”, que sempre querem estragar o sossego da massa “da vez”.

Boa massa a todos.



Geraldo de Lima – papai do Lucas e padeiro nas (poucas) horas vagas;

Bug Project: o detalhe nosso de cada dia

Ontem tive uma experiência culinária que ajudou a entender melhor como fazer outros projetos, que não os culinários.

O projeto apareceu do nada (como é já é de costume) e veio para resolver um problema básico: fazer arroz para o almoço do meu bebê (na verdade já tem dois anos, mas é nosso eterno bebê);

Como todo bom projeto já veio com escopo firmado (bom... nem todos são assim), liderança: minha esposa, cliente: meu filho e prazo determinado: tinha de terminar até o meio dia. Eu então tinha minha meta – 30 minutos para fazer o arroz.

Comecei com pressa, pois a pressão do cliente (minha esposa) era grande e o bebê já começava a reclamar gritando que estava com fome (não tem nada pior que cliente chorando e pedindo o projeto);

Defini rapidamente os requisitos: água, óleo, sal, panela, fogão, alho e cebola; bom estava tudo ali. Mas o ingrediente principal – o arroz – não achava de jeito algum. Procurei em toda a dispensa e nada. Mas lembrei que tinha um restinho num canto, bem no fundo do armário (sabem aquele que ninguém lembrava mais). Não tive duvidas, coloquei-o rapidamente para refogar, pulando etapas da engenharia e boas práticas de se fazer arroz: não escolhi, não lavei e não vi a data de vencimento (afinal arroz não vence, não é mesmo?);

Arroz refogado, água quente nele e faltavam 20 minutos para vencer o prazo;

Fiquei animado, pois minha meta estava quase alcançada;

Em paralelo a esse projeto, é claro que tinha outros em andamento, como o projeto lavar a louça, fazer os nuggets e guardar na dispensa as compras do supermercado; Como todo bom gerente de projetos, estava com meus tentáculos pela cozinha afora para dar conta de todos;

Alarme soando: 12:00 hs em ponto, arroz pronto. Meta vencida.

Mas, espere um pouco. O que são essas coisas pretinhas em cima do arroz??

Não lembrava que o arroz já vinha enriquecido com linhaça. Olhei direito, analisei com cuidado a anomalia do projeto e descobri o que havia ocorrido: sim, eles, aqueles pequenos infelizes que vem do além, que brotam do ar e que mesmo com uma embalagem hermeticamente fechada conseguem invadir qualquer alimento farináceo: os carunchos;

Fiquei desesperado, pensei em mil coisas, inclusive pular pela janela com a panela de carunchos na cabeça. Mas não teve jeito. Tentei convencer a liderança e o cliente a comerem o arroz com carunchos, mas rejeitaram minha proposta de implementação;

Conclusão: projeto fracassado, meta não cumprida e ainda o projeto nuggets foi para o “saco”, pois na correria do projeto arroz eu o esqueci no forno e queimou tudo;
Apenas um detalhe: depois do ocorrido, vi na sacola do mercado que tinha arroz fresco, ou seja, não precisava ter pulado as etapas, poderia ter me comunicado melhor com minha liderança e o cliente não sairia no prejuízo;

Moral da Estória: os cuidados nos detalhes é que definem o sucesso ou o fracasso de um projeto, seja ele de um arroz ou uma nave espacial;

P.S. não se preocupem com meu cliente/ filho, peguei a família e fomos comer fora...fazer o que né?

Geraldo Lima – Gerente de projetos e pai do Lucas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

recomeço


Hoje sonhei com algo estranho
que um pedaço de mim se dissolvia
e nada eu pudia fazer
pensei no sonho que tudo acabara
quando acordei, sorri feliz
o sonho se acabará
eu não mais me dissolvera
mas algo ficou
a vida passa rapido
e dissolver é o que todo dia acontece com nosso corpo, nossa mente
focar no que é importante é necessário
dissolver apenas o que não agrada
absorver o que é real e sonhar com um mundo
absorvido na vida plena...e como no paraiso, voltar a ser criança de novo !!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

penamentos de Outono


Outono é tempo nobre

tempo dourado que revive memorias adormecidas

tempo bom que não volta mais

o sabor dos cafés tomados cheio de carinho

o sabor do calor daqueles que partiram


Outono é tempo de perder as folhas dos sonhos não realizados

tempo de limpar e preparar

tempo de calar e sentir

sabores novos surgirão

calores novos chegarão


Outono é tempo de esperar...e de novo sonhar...



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Hoje fazem 40 anos que vim ao Mundo

Há 40 anos arás eu vim ao mundo. Num ano de muitas comemorações de 40 anos (home na lua, jornal nacional, TV cultura, etc) estou feliz e triste ao mesmo tempo. Não terei este ano o bolo de fubá de minha querida mãe, que lá do céu esta orando por mim. Não terei o abraço apertado de meu pai, que está hoje ao lado de minha mãe. Mas tenho o afeto de minha linda esposa e em seu ventre o pequeno Lucas aguarda para chegar ao mundo neste ano de 2009.
Nasci em 1969 no dia 09 do 09. O numero 09 sempre teve uma representação forte para mim. Neste ano de meu nascimento o homem chegou a lua, o jornal nacional estreou e a TV cultura foi ao ar. Os beatles caminhavam em Abby Road e a internet começava sua trilha que culmina em nossos dias. Loucos e apaixonados comemoravam em
Woodstock, paraíso sem limites do rock, do amor livre e da rebeldia de uma geração.
Eu, neste turbilhão todo, vinha ao mundo em um hospital simples da periferia de Santo André. Meus pais, que pouco tinham de bens materiais, compensavam em carinho e dedicação. Moravam na última rua de São Paulo, divisa com um riacho chamado Córrego Oratório e que se tornaria um dos lugares mais perigosos de criminalidade e trafico de drogas da capital.
Cresci em um oásis, cercado de violência por todos os lados. Minha mãe sempre me instruindo e me dando toda a segurança em sua fé e na crença de que um dia tudo ia melhorar. Enfim melhorou, 26 anos depois conseguimos sair do jardim Elba e da violência que lá corria e matava jovens por algumas gramas de pó.
São apenas 14 anos e ainda sinto a um grande alivio e agradecimento por sair daquele bairro. Mas o alivio vem mistura com as lembranças maiores e mais afetivas da minha juventude, nas árvores que subia o dia todo, do telhado onde empinava pipas, do riacho que tinha medo de atravessar em dia de chuva forte. Uma Infância lúdica, num universo cheio de imaginação, onde eu era sempre o herói que salvava a mocinha e fazia o vilão pagar por seus crimes.
São 40 anos de vida, mas parece que foi ontem que fui na minha primeira aula, aos 7 anos, numa humilde escola que tinha barracos de madeira como sala de aula e professoras dedicadas, como a dona Olinda, mulher bem arrumada e gentil que me ensinou a ler, ou a dona Lucia, professora da 4ª série, que um dia colocou a mão e minha cabeça, em plena aula, e disse a todos que se orgulhava de ter um aluno como eu. Fiquei vermelho como um pimentão maduro, mas nunca esqueci daquele carinho gratuito.
Foi naquele bairro cheio de morte, que celebrei a vida, cuidando de gatos, cachorros e passarinhos. Até uma tartaruga eu cuidei e alimentei. Certa vez criei um filhote de gato na mamadeira, pois sua mãe havia morrido em uma briga com outro gato. O bichinho conseguiu sobreviver e mesmo meio traumatizado pela perda da mãe, me trouxe muitas alegrias.
Foi lá também que aprendi a admirar os estudos, a dirigir carros e a me apaixonar pelas meninas. Sempre fui um apaixonado e sofredor platônico. Amei e fui rejeitado inúmeras vezes, mas nunca desisti. Sendo persistente, 34 anos depois encontrei meu verdadeiro amor: a Dani, mãe do Lucas, a minha linda dançarina do ventre e amiga de todas as horas.
Não posso reclamar de minha vida até aqui. Foi difícil, mas foi repleta de vida e paixão. Ajudando e colaborando com os que mais sofrem, a exemplo de minha mãe, fui sempre um rebelde “com causa”. Participei do fora Collor, das lutas a favor dos mais humildes, batalhei nas comunidades de base para eleger pessoas do povo, unidos por um ideal ajudamos o Lula chegar lá. Na faculdade de matemática, fui diretor do centro acadêmico “Honestino Guimarães” (líder estudantil que morreu na ditadura). Defendi a universidade pública no ABC e fui até delegado de congresso da UNE na Unicamp em 1990. Depois participei de grupos de jovens na igreja católica, onde sempre preguei a justiça e igualdade para todos. Não posso dizer que sempre fui ajudado e reconhecido pelo que fiz. Tive muitos inimigos, mesmo na igreja. Pessoas que não queriam o bem de todos, mas apenas o beneficio pessoal. Cansei de viver sob o domínio de padres rígidos e com a ajuda do padre Naves, parti para a luta pelos diretiros dos Sem-terra. Ajudei em acampamentos por todo interior paulista. Buscava doações de alimentos, remédios e carinho para todos aqueles que querem apenas um pedaço de terra para viver com justiça. Fui mais uma vez discriminado por aqueles que não entendem um movimento social. Alias, aqueles que reclamam dos sem-terra, jamais entraram em um acampamento e conversaram com seus líderes . Homens e mulheres que eram mendigos nas ruas das grandes cidades e foram transformados em cidadãos com independência de pensamento e força de vontade para reinvidicar seus diretiros perante os que não querem partilhar.
Aprendi muito em todos estes movimentos e lutas sociais. Agora aos 40 anos, busco um lugar para ensinar estes conhecimentos como professor. Falar sobre as lutas sociais e sobre minhas paixões: a dança, a fotografia e o cinema A busca ainda está começando e não encontrei ninguém que me acolhesse, mas sei que meu lugar está reservado e não vou parar de procurar.
Este mês meu filho Lucas nasce e sei que ensinarei a ele os pequenos segredos da vida. Ele saberá que existiram pessoas que deram sua vida para ajudar a construir um mundo melhor e isto não pode ser esquecido por nós.
Acredito no ser humano e apesar de seus inúmeros defeitos, a humanidade busca a felicidade e a união harmonioza com a natureza da qual também fazemos parte. Eu sou um desses que acredita e sempre vai acreditar na capacidade de gerar e promover a vida, sem medo das represálias e cada vez mais confiante no futuro que nos aguarda.