sexta-feira, 15 de junho de 2012

Amor resiliente: um projeto para dois


Nossa vida é cheia de pequenos e grandes projetos. Mesmo quando crianças lidávamos com desafios que provocavam nossa criatividade, para poder conseguir o objeto do desejo, como um brinquedo, um passeio, uma aventura em lugares desconhecidos (ir na rua de cima). Nesses pequenos desafios diários a palavra que mais temos medo de acontecer é o fracasso e junto com ele a frustração.

Eu acredito que a culpa disso tudo é de nossa interminável e robusta esperança. Ela que nos obriga a tentar sempre, mesmo quando o sofrimento já dói todo o corpo, inclusive o coração.

Dos projetos da vida que mais sofremos, os projetos de amor são os mais importantes e os que menos temos sucesso. Do namoro platônico da infância e adolescência, aos romances relâmpagos da garotada de hoje, casamentos terminados, traições sem fim, cotidiano que nos sufoca...o projeto de amor já nasce errado. Vejamos algumas variáveis para esse projeto ser um fracasso, antes mesmo de começar. Vamos a elas:

Sorte: Temos de acertar na loteria. Conseguir achar no meio de milhões de pessoas a jóia rara, a tampa de ouro cravejada de diamantes de sua panela de ferro enferrujada. Praticamente uma mega sena acumulada 5 vezes e você com apenas um bilhete para apostar. Bom... eu nunca dei sorte e esse primeiro item do projeto Amor sempre achei impossível cumprir.

Procurar em danceterias, baladas, festas, pessoas que nunca vi mais gorda, e ainda ter sucesso, é algo que não creio ser possível. Os que acreditam em destino que me desculpem, mas a teoria da probabilidade nos condena. Somos seres altamente complexos e encontrar outro ser também altamente complexo onde as variáveis complexas tenham um encaixe perfeito não é sorte...é milagre.

Mas, e aqueles casais velhinhos que se amam até hoje? Como explicar tal amor? Sorte? NÃO. A sorte nas gerações antigas não existia também, mas outra variável a substituía: o conformismo e resiliência. A mulher e o homem poucas vezes se apaixonavam perdidamente e se o fizessem, a família condenava, pois geralmente não era a pessoa que eles tinham escolhido para você. Os casamentos arrumados, a necessidade de estar casado e socialmente aceito trazia um conformismo, que com o passar dos anos e dos filhos, se tornava amor. O amor era resiliente, criado dia a dia, sovado como massa em mármore sofrido, até criar liga e virar pão que alimentava as gerações. Hoje o “fast food” da paixão não permite você nem pensar em criar esse amor...não há tempo para isso. Todo o resto é mais importante: carreira, estudos, bens de luxo, carros caros, apartamentos com churrasqueira na varanda, i-“tudos”, facebook e solidão.

O fator sorte veio então, como uma desculpa para você não ter conformismo. Apostar em algo efêmero e depois jogar fora, pois afinal, não teve sorte mesmo. Para que tentar se ele ou ela não é o seu príncipe ou princesa encantada. A resiliência não existe, apenas a vontade de acabar logo aquilo que ainda nem começamos e partir pra outro bilhete da insana loteria do amor.

Isso me lembra outra variável insana: a aparência e o desejo pelo “Belo”;

Aqueles que possuem boa aparência, herdados pelos genes dos avôs resilientes, são um exemplo atual que o efêmero é algo maior que a verdade da vida. Vou explicar melhor. A sociedade atual valoriza a beleza externa. Quem a possui, ou por herança ou por dinheiro, vive para alimentá-la e fazer dela um poder que domina o mundo atual.

São novelas, shows de “reality”, revistas, internet, tudo valorizando o belo, de quem possui bens e sugerindo que “todos” podem chegar lá. Os feios, magros ou gordos demais, pobres, doentes e fracos são rejeitados, abandonados a própria solidão. Mesmo entre os iguais, entre os feios, não há valorização mutua, pois estão embriagados pelo desejo de ser belo e possuir o belo.

Poucos conseguem fugir dessa armadilha, todos sonham em ter dinheiro, para poder enfim ser belo, ser famoso, ser “alguém”. E esquecemos que o belo é efêmero, cai, quebra, adoece, morre, tanto como o feio. O belo um dia um feio será. Mas o feio se esquece disso e busca se eternizar no belo, mesmo que seja à custa de matar o verdadeiro belo que possuí: o amor incondicional;

As variáveis da complexa arte de amar se somam: sorte + aparência. Quem feio e pobre poderá um dia, entre milhões, conseguir o belo? E se dois feios buscam o belo, eles se anulam, e mesmo que se colocados um na frente do outro, não se enxergam. A cegueira pelo belo afeta a todos. Mas o belo cansa, o belo pelo belo não tem substancia. É bolinho de queijo sem queijo, uma promessa de algo que por ele mesmo se faz pó. Não existe belo verdadeiro sem recheio de vida, de amor, de dedicação e cuidados do ser amado.

Fazer projeto de amor não é fácil. Citei apenas duas variáveis, e existem dezenas de outras tão complexas como essas: paciência, companheirismo, carinho diário, sedução, entrega, criatividade e muito dialogo.

Se existe um projeto de amor, existe também uma necessidade por trás disso. Sem necessidade não há projetos. E a maior necessidade do ser humano é ser admirado como ele é, sem mascaras e sem vitrines enganadoras. É ser compreendido e amado mesmo sendo feio, gordo, magro, chato, raivoso ou amoroso demais.

Poucos são tão resilientes a esse ponto, mas os que conseguem um dia terão pão para muitas e muitas gerações felizes e bem alimentadas. O amor nosso de cada dia.




terça-feira, 12 de junho de 2012

Paixão faminta


Hoje é um dia diferente. É dia dos enamorados, dos amantes, dos apaixonados, estando acompanhados ou solitários. Paixão independe de estar ou não com alguém, pois acredito que os solitários nessa data, tem a paixão mais poderosa que a dos acompanhados.

Loucura o que digo? Deboche de quem está só? Não. Pensem num processo equivalente a fome. Quando se tem comida, a fome pode ser saciada de tempos em tempos e diminui. Quando a comida falta, sonhar com ela parece ser mais gostoso. Falar de comida com fome é outra coisa. Sentimos seu aroma, sentimos seu sabor em cada prato que lembramos. É assim com a paixão. Fome traz um desejo que os saciados já não sentem. Hoje dia dos namorados, os insaciáveis solitários imaginam, sonham com o passado e desejam um futuro com alguém, que muitas vezes só existe na sua imaginação faminta.

Faz oito anos que não sinto essa “fome” de paixão do dia dos namorados. E por incrível que pareça tinha esquecido a sensação de ser um “desejante faminto” oscilando entre o bom, o ruim e o sonho. Eu explico.

O “bom” é ter na esperança louca de quem deseja, poder encontrar alguém nesse dia, como nos filmes de comédia romântica, que as pessoas se encontram, se esbarram por acaso e no final desse dia mágico algo de bom acontece: o começo de uma paixão, o saciar dessa fome que parece não ter fim.

O ruim é quando o dia passa e os esbarrões não ocorrem. Chega a noite fria e sem perspectivas mas reais. A fome aumenta, o bom se vai, e a cabeça parece ser martelada com pensamentos de que algo errado aconteceu, ou pior, o errado sou eu.

Daí vem o sonho, aquele que nos abraça como uma miragem no deserto escaldante. Ele pode nos afagar acordado ou dormindo, mas o sonho, quando se tem fome de paixão, é algo incrível.

Nele tudo podemos fazer, mas com a condição de não nos machucarmos. De não ter uma “indigestão” amorosa, pois nele, a fome de paixão cria o ser perfeito, cria nossa alma gêmea. Alma que não cansa de nos alimentar, de nos dar prazer, de ser nossa companheira eterna, em momentos de alegria, prazer e cumplicidade.

Mas lembre-se. O sonho só vem após o bom e o ruim ocorrerem. A fome de paixão é o combustível desse sonho que nasce e morre, indo e vindo em nossas mentes, enquanto o desejo não virar algo real. Quando isso ocorre, a paixão real aos poucos mata o sonho, aos poucos a fome passa e o “feijão com arroz” real do dia-a-dia, toma o lugar do sonhos de pratos exóticos, de comida saborosa, de aromas e sabores que só nos devaneios do sonho de quem tem fome são possíveis.

E não tem jeito, a menos que você, tenha coragem de não comer mais o trivial, de fazer “dieta” e voltar a ter fome de algo novo, a nova paixão vai acabar virando apenas o prato feito que mata a fome, mas não alimenta mais paixão alguma. E não digo para trocar e buscar alguém novo. O grande segredo é com a mesma fonte de paixão, voltar a sonhar e acreditar que algo novo possa brotar, com aromas, sabores e delicias que uma paixão nova sempre pode proporcionar.

Dia dos namorados com fome é algo para poucos, que podem saborear momentos de sonhos únicos. Sonhos que jamais vão ocorrer, pois é da natureza de um sonho ser sonho, e da natureza humana acreditar neles...sempre !!!




terça-feira, 13 de março de 2012

Hollywood Project e o "busão" delivery

O "mundo" de Hollywood aprendeu a fazer projetos a muitas décadas atrás. Os grandes estúdios nasceram da crescente necessidade de produzir filmes com um certo padrão estético, em escala e que fossem lucrativos. Mas nem sempre foi assim. No inicio o cinema era "caseiro", com produções que mais pareciam peças de teatro filmadas e não tinham a estrutura atual, como áreas específicas que cuidam de cada parte da construção de uma bela imagem.

A indústria do cinema nasceu a partir dessa necessidade de criar um mundo de fantasia que envolvesse o espectador e gerasse lucro diante de um único objetivo: diversão.




Para desenvolver as mega produções foram criadas áreas especificas para produção dos filmes e que foram categorizadas em gêneros, como o Western, Comédia, Drama, etc. Essa classificação ajudava na produção, pois as áreas acabavam se especializando em determinado gênero, aumentando a produtividade, diminuindo custo e garantindo qualidade  nas "entregas" dos filmes nas telas de todo mundo.

Alguém já sentiu essa mesma necessidade dentro das empresas? criar uma especialidade e focar para garantir entregas rápidas, econômicas e com qualidade?
Esse "máxima" já identificada por Hollywood  na década de 20, por incrível que pareça, ainda causa espanto em muitos gestores de grandes empresas. Muitos deles ainda acreditam ser possível fazer diversos "grandes" projetos pela mesma equipe e garantir tempo, qualidade recorde e claro sem gastar muito.

Um amigo colocou a seguinte placa na sua mesa:

"O Impossível fazemos na hora. Milagre só amanhã!".





Vamos fugir um pouco da questão complexa que envolve fazer filmes e vamos a um contraponto, onde darei um exemplo mais simples da realidade que vivemos no desenvolvimento de projetos complexos nas empresas.

Imagine que você precise pegar um ônibus para determinado local, mas esse ônibus é diferente dos demais, ele tem um motorista que vamos chamar de "sr. Flexível".
O ônibus não possui itinerário definido. O motorista atende ao pedido de cada passageiro que entra no ônibus. O pedido do último passageiro a entrar no coletivo é quem determina a próxima parada. Pergunta: Caso seu destino seja a Av. Paulista e o passageiro que acaba de entrar pedir para ir para Diadema, quando você vai chegar a seu destino?
Agora faça uma associação desta metáfora com as empresas atuais:

O Ônibus é a empresa, o motorista é a equipe de projeto, os passageiros são os gestores e os projetos os destinos de cada um. 

Ninguém vai chegar a lugar algum com satisfação e qualidade (ônibus perdido e sem destino), o custo vai ser altíssimo (combustível gasto sem critério e foco) e a equipe (motorista) vai ficar ouvindo reclamações o dia todo, cada um querendo priorizar seu destino (projetos sem fim).

Uma simples metáfora, mas com grande visibilidade do problema que enfrentamos nas grandes corporações hoje em dia.

Mas existe solução? quem  poderia otimizar esse "Ônibus", ajudar esse "motorista" e fazer os "passageiros" se entenderem e chegar em um lugar comum com agilidade, qualidade e baixo custo?

Retomando a questão dos filmes e das grandes produções, é raro vermos um grande diretor de cinema, como Wood y Allen, Spielberg ou Tarantino fazendo cinco filmes ao mesmo tempo. O segredo deles é o foco, gerenciando a equipe em busca de um grande filme por vez. E veja que os orçamentos deles são infinitamente maiores que a maioria dos projetos que trabalhamos em nossas empresas. O risco é alto, mas o compromisso e foco são maiores ainda.

No ambiente corporativo tradicional, já existem algumas iniciativas para garantir o foco, aumentar a transparência e o compromisso de todos. São os chamados  frameworks “Ágeis” em desenvolvimento de projetos. Eles nasceram dessa necessidade crescente e alguns já tem mais de 20 anos de aplicação em projetos pelo mundo.
A essência desses frameworks “Ágeis” são o foco na entrega com valor agregado para quem vai utilizar o produto final, com time especializado, auto gerenciável e dedicado e definição clara da "visão" do projeto, ou seja, do "destino" que seu ônibus quer chegar.

Um desafio que cada um “sente  na pele”, mas poucos tem a coragem de mudar.

Mas sejamos positivos, pois a indústria do cinema levou mais de cem anos para chegar nesse patamar de foco e qualidade e nós ainda...eu repito... “AINDA”  temos tempo para aprender a gerenciar e priorizar  nossos "destinos".


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mão na massa: tudo uma questão de tempo

Ando inspirado para cozinhar. E, em minhas aventuras pelas panelas, fornos e farinhas, penso também em como melhorar o gerenciamento de projetos;

Quem não cozinha ou pouco se aventura nessa arte, pode não entender as comparações que faço entre os universos gerenciais de projetos e os culinários;

Minha última investida foi na confecção de pães caseiros; busquei na velha caderneta de mamãe (ela fazia ótimos pães e era muito criativa) um básico pão de sal para o café da manhã;

Como tudo na culinária (e em projetos), olhando a receita (ou os processos de governança e metodologias) parece muito fácil. Basta comprar os ingredientes, misturar tudo, forno e pronto...pão quente e fresquinho para todos se deliciarem. Mas na prática as coisas são um pouco mais complexas e exigem atenção, preparo e muita dedicação;

Traçando um comparativo, vejo os seguintes pontos:

Pão

1) Escolher a receita (pão doce, salgado, etc)

2) Adquirir e separar os ingredientes nas quantidades certas;

3) Misturar os ingredientes na ordem e temperatura corretas

Projeto

1) Definir qual objetivo do projeto;

2) Definir equipe certa e os requisitos possíveis e necessários;

3) Misturar os ingredientes.... ??????????

Atenção, muita atenção nessa etapa. Em minha opinião, é nesse ponto 03 que os projetos têm maior chance de dar errado e os pães também.

Quem cozinha sabe que a arte de fazer bem um prato é saber misturar os ingredientes na quantidade certa e temperatura adequada, unindo os ingredientes afins em momentos certos e fazendo “camadas” nas quais cada ingrediente cumpre sua função. Mas além de tudo isso, cada mistura precisa de “seu tempo” específico para estar pronta.

No caso dos pães, a massa precisa ser “sovada”, ou seja, precisa ser amassada até ter a consistência adequada e para que o fermento e o glúten cumpram sua função, dando a liga necessária para o pão crescer e ficar no ponto para levarmos ao forno;

Em projetos, quando misturamos os “ingredientes”, como idéias de negócios + idéias de TI + idéias de qualidade, em qualquer tempo e ordem, pensamos que poderá haver um resultado positivo, ou o “pão quentinho” no final da jornada.

Mas se até para fazer um simples pão tenho de respeitar as leis da química e deixar o pão criar sua “liga” e crescer, porque em projetos milionários e complexos, acreditamos ser possível ter uma boa “liga” sem deixar os requisitos “amadurecerem e crescerem” até o ponto de ser colocado no forno?

A maioria dos projetos que vemos, tem um curto período para esse amadurecimento, para que a “massa cresça” e possa ser usada. Acreditamos (não sei por onde) que colocando as pessoas certas numa sala, com uma idéia inicial do objetivo, em uma semana teremos todo amadurecimento que um projeto precisa ter para ser de sucesso;

(pão) Doce engano! Pois, o que vemos, é um pão duro e que não cresceu o suficiente para levarmos ao forno. Mesmo assim tentamos assá-lo e fica tudo uma droga.

Quantos “pães” nós não tivemos de jogar fora e começar tudo de novo, desperdiçando tempo, dinheiro, imagem e recursos da empresa. Tudo isso, somente porque não tivemos a paciência e perseverança para saber até onde “amassar” cada idéia, respeitando cada etapa do “framework” de engenharia e ajudando a “massa” das idéias e da qualidade a crescer e ficar no “ponto”;

A receita de minha mãe ficou pronta. O pão é uma delicia e acaba rapidinho. Projeto bom também é assim, todo mundo quer um pedaço “quentinho” com a “maciez” da lucratividade e do retorno adequado, seja ele operacional, gerencial ou comercial.

Querem a receita de minha mãe? Sovar, meu filho... até a massa fazer “bolhinhas” e crescer longe das correntes de ar “de outros projetos novos e urgentes”, que sempre querem estragar o sossego da massa “da vez”.

Boa massa a todos.



Geraldo de Lima – papai do Lucas e padeiro nas (poucas) horas vagas;

Bug Project: o detalhe nosso de cada dia

Ontem tive uma experiência culinária que ajudou a entender melhor como fazer outros projetos, que não os culinários.

O projeto apareceu do nada (como é já é de costume) e veio para resolver um problema básico: fazer arroz para o almoço do meu bebê (na verdade já tem dois anos, mas é nosso eterno bebê);

Como todo bom projeto já veio com escopo firmado (bom... nem todos são assim), liderança: minha esposa, cliente: meu filho e prazo determinado: tinha de terminar até o meio dia. Eu então tinha minha meta – 30 minutos para fazer o arroz.

Comecei com pressa, pois a pressão do cliente (minha esposa) era grande e o bebê já começava a reclamar gritando que estava com fome (não tem nada pior que cliente chorando e pedindo o projeto);

Defini rapidamente os requisitos: água, óleo, sal, panela, fogão, alho e cebola; bom estava tudo ali. Mas o ingrediente principal – o arroz – não achava de jeito algum. Procurei em toda a dispensa e nada. Mas lembrei que tinha um restinho num canto, bem no fundo do armário (sabem aquele que ninguém lembrava mais). Não tive duvidas, coloquei-o rapidamente para refogar, pulando etapas da engenharia e boas práticas de se fazer arroz: não escolhi, não lavei e não vi a data de vencimento (afinal arroz não vence, não é mesmo?);

Arroz refogado, água quente nele e faltavam 20 minutos para vencer o prazo;

Fiquei animado, pois minha meta estava quase alcançada;

Em paralelo a esse projeto, é claro que tinha outros em andamento, como o projeto lavar a louça, fazer os nuggets e guardar na dispensa as compras do supermercado; Como todo bom gerente de projetos, estava com meus tentáculos pela cozinha afora para dar conta de todos;

Alarme soando: 12:00 hs em ponto, arroz pronto. Meta vencida.

Mas, espere um pouco. O que são essas coisas pretinhas em cima do arroz??

Não lembrava que o arroz já vinha enriquecido com linhaça. Olhei direito, analisei com cuidado a anomalia do projeto e descobri o que havia ocorrido: sim, eles, aqueles pequenos infelizes que vem do além, que brotam do ar e que mesmo com uma embalagem hermeticamente fechada conseguem invadir qualquer alimento farináceo: os carunchos;

Fiquei desesperado, pensei em mil coisas, inclusive pular pela janela com a panela de carunchos na cabeça. Mas não teve jeito. Tentei convencer a liderança e o cliente a comerem o arroz com carunchos, mas rejeitaram minha proposta de implementação;

Conclusão: projeto fracassado, meta não cumprida e ainda o projeto nuggets foi para o “saco”, pois na correria do projeto arroz eu o esqueci no forno e queimou tudo;
Apenas um detalhe: depois do ocorrido, vi na sacola do mercado que tinha arroz fresco, ou seja, não precisava ter pulado as etapas, poderia ter me comunicado melhor com minha liderança e o cliente não sairia no prejuízo;

Moral da Estória: os cuidados nos detalhes é que definem o sucesso ou o fracasso de um projeto, seja ele de um arroz ou uma nave espacial;

P.S. não se preocupem com meu cliente/ filho, peguei a família e fomos comer fora...fazer o que né?

Geraldo Lima – Gerente de projetos e pai do Lucas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

recomeço


Hoje sonhei com algo estranho
que um pedaço de mim se dissolvia
e nada eu pudia fazer
pensei no sonho que tudo acabara
quando acordei, sorri feliz
o sonho se acabará
eu não mais me dissolvera
mas algo ficou
a vida passa rapido
e dissolver é o que todo dia acontece com nosso corpo, nossa mente
focar no que é importante é necessário
dissolver apenas o que não agrada
absorver o que é real e sonhar com um mundo
absorvido na vida plena...e como no paraiso, voltar a ser criança de novo !!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

penamentos de Outono


Outono é tempo nobre

tempo dourado que revive memorias adormecidas

tempo bom que não volta mais

o sabor dos cafés tomados cheio de carinho

o sabor do calor daqueles que partiram


Outono é tempo de perder as folhas dos sonhos não realizados

tempo de limpar e preparar

tempo de calar e sentir

sabores novos surgirão

calores novos chegarão


Outono é tempo de esperar...e de novo sonhar...